Bolsonaro e o superministério da economia, por Haroldo Araújo

O superministério da economia terá atribuições do atual Ministério da Fazenda, Ministério do Planejamento e Ministério da Indústria e Comércio. Para entender as razões dessa proposta de gestão é necessário buscar um pouco da história do mais destacado formulador e executor da política econômica do Brasil: o Ministério da Fazenda. Dentre as muitas atribuições que já lhes foram concedidas estava prevista, de forma muito ampla, a formulação da política econômica.

O próprio Banco Central, até bem pouco tempo, estava subordinado ao Ministério da Fazenda. Essa é uma das razões pelas quais o Ministério da Fazenda tinha funções de maior expressão política e, até incluía, aquelas que, hoje, estão à cargo do Banco Central. Pode-se verificar que a separação representou uma perda de importância política para o ministro, no entanto, a própria desvinculação deu maior importância às políticas voltadas para controle inflacionário.

Para entender isso, vamos voltar mais um pouco na História, isso mesmo com “H” maiúsculo. Ruy Barbosa (1849-1923) como Ministro da Fazenda, ocupou um ministério no tempo que a Fazenda fazia emissões. Ruy Barbosa, enfrentou uma crise de crédito com emissão de moeda (leia-se papel pintado). A consequência foi uma desordem econômico-financeira, de tal envergadura, que a crise teve denominação ainda hoje lembrada: “Crise do Encilhamento”.

É preciso esclarecer que a concomitante indicação de independência do Banco Central, trará a confiança para a firme orientação no sentido de obter os resultados de forma absolutamente compatíveis com a intenção de saneamento das finanças públicas. Governos recentes abandonaram um dos tripés de sustentação do Real (R$), ao desconsiderar a importância da manutenção do superávit primário, fato gerador de especulações contra à nossa moeda.

O superministério precisará, também, combater os desperdícios e promover o melhor direcionamento dos recursos e compatibilizar as ações a serem desenvolvidas pela área econômica. Uma firme coordenação das políticas externas e internas. Não haverá espaço para abrir discussões que, certamente, trariam dispersões no objetivo de combater o déficit. Essa coordenação evitará infindáveis debates, muitas vezes com prejuízo na eficiência e eficácia.

Podemos imaginar que haverá, por parte do governo, a séria intenção de preservar os fundamentos da economia. Podemos acreditar que o atual governo assumirá, diferentemente de outros, um compromisso com a sociedade no sentido de dar curso às promessas de campanha, quando disse que faria um governo voltado para a correção de rumos indesejáveis que, enfrentamos e agora nos afligem com tantos e elevados déficits nas contas públicas.

Equívocos de governos passados, já obrigaram a autoridade monetária a adotar políticas para sustentação de elevados déficits. Exemplo claro foi o fato de governantes que reclamavam dos juros como ficou conhecido o vice de Lula (Dr. José Alencar), mas sua reclamação não era acompanhada de medidas que buscassem a redução do déficit público. É bem verdade que não paramos de crescer, mas junto ao crescimento do PIB crescia o déficit e a dívida “aloprada”.

O que pretendemos com nosso artigo é esclarecer que uma sociedade que não quer pagar juros altos, precisa ser capaz de mostrar a disposição de enfrentar os elevados déficits e isso exige sacrifício de todos os brasileiros. Nenhum governante se elegerá conclamando o povo a fazer sacrifícios, mas precisará trazer a realidade dos números e déficits logo na posse. Assim poderá dizer qual é a parte do sacrifício que caberá à cada um de nós.

O superministério pode até não encerrar um fim em si mesmo, mas pode ser o primeiro passo para organizar e sanear nossas finanças.

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Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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