A bolha de consumo estourou, por Haroldo Araújo

Temos bala na agulha para enfrentar as turbulências externas que por desventura venham a nos ameaçar a malfadada falta de rumos da União Europeia? As economias das nações montam cenários e perspectivas e sem rumos não existem cenários nem perspectivas viáveis. Para enfrentar essa ameaça externa ocasionada pela fratura da União Europeia o nosso cacife para a turbulência internacional não é outro senão o representado pelas nossas Reservas Cambiais de aproximadamente US$ 350 Bi.

Assim sendo temos pontos fortes e fracos. Qual é o ponto fraco para o momento externo e interno. Já dissemos muitas vezes que a crise externa nunca será uma grande ameaça se tivemos o cuidado de trabalhar de forma proativa e com pés no chão e aqui não foi assim. Erramos ao diagnosticar a crise externa como causa de nossos problemas por falta de “semancol”.

Erramos feio! E por que? Porque o nosso maior problema sempre foi aqui dentro do Brasil. E qual foi o problema? Não aceitamos entregar os pontos de uma visão canhestra tupiniquim para entender que sempre nos beneficiamos de bons momentos da economia externa e esse bom momento passou faz muitos anos.

Para não dar o braço a torcer e assumir com humildade a adoção de medidas que deveriam ter sido tomadas e não tivemos coragem para tal [ por orgulho e soberba ] Dilma deu continuidade à uma bolha de consumo criada por Lula. E essa bolha de consumo é que agora estourou. O consumismo não tinha base de sustentação senão na abundância de crédito via bancos públicos e privados ( também ). Os bancos em geral grandes ou pequenos se obrigavam a seguir no mesmo diapasão uns dos outros ou perderiam clientes.

Paralelamente e por mais de uma década os programas sociais pareciam completar rendas e as conquistas (sic) de trabalhadores e que assim eram chamadas, aumentavam as despesas correntes governamentais, aumentavam sim e principalmente as de pessoal. Para ajudar a ânsia consumista que deveria sustentar os empréstimos de até 100 meses para compra de veículos que já gozavam de incentivos endividamos até as famílias e o nosso PIB (orgulhoso) crescia.

Só entendo vantagens trabalhistas a exemplo de melhoria dos ganhos quando se constatar paralelamente um aumento de produtividade da empresa, caso contrário não haverá como pagar compromissos! Fato esse que gera sem dúvida alguma uma fonte de inadimplência empresarial. Sofrem os que não foram orientados para estar do mesmo lado, o da empresa.

As empresas são os nossos contribuintes e não podem ser vistas como um patinho feio, sempre achei que empregados e patrões deveriam ter uma postura de ficar ao lado do empreendimento que lhes dá sustento. Quem paga imposto? Quem gera valor adicionado? Quem gera emprego e renda? Quem produz?

Sobre a Inflação? Evidente que com uma recessão dessas (quase dois anos) quem é que vai reajustar preços? Pois bem! Não tem empresa que se sustente competitiva reajustando a qualquer título, principalmente com a queda dos empregos que também faz com que a queda das vendas se acentue.

Agora voltamos ao passado! Voltamos ao tempo em que se corrigia distorções provocadas pelo intervencionismo através de medidas keynesianas. Medidas Heterodoxas foram recorrentes e nunca trouxeram soluções, senão palidamente maquiadoras e paliativas. Não são sustentáveis medidas que dependem de um ativismo ou protagonismo governamental.

Essa política voltada para o consumo, e não para a produção, certamente era bem intencionada, mas também não fez bem e fazer bem seria nos dar o conforto de não nos vermos como agora, novamente ameaçados de situações constrangedoras. Constrangimento também é ter nascido e crescido com o bordão de que somos o país do futuro.

Somos uma nação que já acreditou ter-se emancipado aceleradamente como nunca dantes e até aceita como emergente e classificada como uma das maiores economias do mundo: A 6ª (sexta) e agora somos a 10ª.décima.

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.