ASCENSÃO E QUEDA DAS OLIGARQUIAS

Há quem possa, com olhares mansos de observador cúmplice, associar “liderança política” a “oligarquia”.

Estas designações refletem, contudo, uma variação semântica significatica. Ambas, entretanto, trazem algo em comum. O sentido de “influência” que elas abrigam em determinado território social e político. A capacidade de exercer “influência”, atributos comuns à liderança e à oligarquia, é o que as distingue.

Em um e outro caso, influência seria, para aludir a Lipset de passagem, a capacidade de induzir o comportamento e as opções políticas de outrem, sem a qual ele haveria de comportar-se de forma diferente. À falta desta pressão externa motivadora, proveniente de uma relação de dependência e lealdade, outras modalidades de influência seriam, certamente, exercidas.

Pretendíamos ser modernos, dizíamo-nos democratas e republicanos, quando, de fato, guardávamos, inteiras, as inclinações ancestrais, feitas de solidariedade e cumplicidades, na família expandida em torno da fazenda pública.

Dos tempos mais distantes, nos beirais da monarquia bragantina, ao multipartidarismo plural no qual se acomodam todos os interesses, a oligarquia sobreviveu, no Brasil, a todo sopro de modernidade. E sobreviverá aos tropeços dos quais não escaparemos à chegada do futuro incerto que nos aguarda.

Passaram por nós, sem que os adotássemos, ideias, utopias fantasiosas, os ideais dos fundadores jeffersonianos, os clamores da Revoução francesa e o “1917” dos bolcheviques. E outras inquietações de menor espessura ideológica.

Celebramos todas essas bandeiras com o encantamento das paixões passageiras e provisórias. Transformamos todas essas brilhantes arrelias do espírito humano em retórica dogmática extraída das sebentas de Salamanca e Coimbra, sem que nos dominasse a mínima intenção de as por em prática. Instalamos, com os nossos hábitos, o compadrio político, as lealdades de solidariedade e proteção e fizemos do Estado o ente protetor dos privilégios de poucos sobre as necessidades de muitos.

As oligarquias, como qualquer grupo orgânico construído sobre afinidades pontuais e passageiras, descreve um percurso, alongada curva ao longo da qual se projetam fases consequentes. O nascimento, o convencimento, o fastígio de força crescente, o apogeu do prestígio, a afirmação da sua vontade e das decisões que impõem, precedem o declínio, demorado, por vezes, em queda rápida, incontrolável, de outras tantas.

A cada mudança significativa, os oligarcas se reorganizam, adotam novo discurso sedutor, e constroem novas pontes e novas oligarquias. Algumas, por infelicidade, desaparecem, para renascerem tangidas pelo impulso gregário das “grandes famílias”.

Oligarquias, existem de muitas formas e formatos. Conservadoras, liberalíssimas com os bens públicos, reacionárias a toda e qualquer mudança anunciada; de inspiração sindical e até dominadas por ideologias asseadas e provisórias, destas que se adaptam a qualquer situação e a todas as circunstâncias.

As eleições que se aproximam, em clima de generalizada confusão política e eleitoral, com a proliferação pouco asséptica de candidaturas improvisadas antecipam, entretanto, algumas mudanças, renovadas ciclicamente que a muitos otimistas parecem plausíveis — o desmantê-lo das oligarquias instaladas.

Não que os novos arrivistas possam trazer no seu bornal de favores compartilhados novas virtudes peregrinas, Afinal, nada mais semelhante a um oligarca e a uma oligarquia do que outro oligarca e outra oligarquia.
Há quem possa, com olhares mansos de observador cúmplice, associar “liderança política” a “oligarquia”.

Estas designações refletem, contudo, uma variação semântica significatica. Ambas, entretanto, trazem algo em comum. O sentido de “influência” que elas abrigam em determinado território social e político. A capacidade de exercer “influência”, atributos comuns à liderança e à oligarquia, é o que as distingue.

Em um e outro caso, influência seria, para aludir a Lipset de passagem, a capacidade de induzir o comportamento e as opções políticas de outrem, sem a qual ele haveria de comportar-se de forma diferente. À falta desta pressão externa motivadora, proveniente de uma relação de dependência e lealdade, outras modalidades de influência seriam, certamente, exercidas.

Pretendíamos ser modernos, dizíamo-nos democratas e republicanos, quando, de fato, guardávamos, inteiras, as inclinações ancestrais, feitas de solidariedade e cumplicidades, na família expandida em torno da fazenda pública.

Dos tempos mais distantes, nos beirais da monarquia bragantina, ao multipartidarismo plural no qual se acomodam todos os interesses, a oligarquia sobreviveu, no Brasil, a todo sopro de modernidade. E sobreviverá aos tropeços dos quais não escaparemos à chegada do futuro incerto que nos aguarda.

Passaram por nós, sem que os adotássemos, ideias, utopias fantasiosas, os ideais dos fundadores jeffersonianos, os clamores da Revoução francesa e o “1917” dos bolcheviques. E outras inquietações de menor espessura ideológica.

Celebramos todas essas bandeiras com o encantamento das paixões passageiras e provisórias. Transformamos todas essas brilhantes arrelias do espírito humano em retórica dogmática extraída das sebentas de Salamanca e Coimbra, sem que nos dominasse a mínima intenção de as por em prática. Instalamos, com os nossos hábitos, o compadrio político, as lealdades de solidariedade e proteção e fizemos do Estado o ente protetor dos privilégios de poucos sobre as necessidades de muitos.

As oligarquias, como qualquer grupo orgânico construído sobre afinidades pontuais e passageiras, descreve um percurso, alongada curva ao longo da qual se projetam fases consequentes. O nascimento, o convencimento, o fastígio de força crescente, o apogeu do prestígio, a afirmação da sua vontade e das decisões que impõem, precedem o declínio, demorado, por vezes, em queda rápida, incontrolável, de outras tantas.

A cada mudança significativa, os oligarcas se reorganizam, adotam novo discurso sedutor, e constroem novas pontes e novas oligarquias. Algumas, por infelicidade, desaparecem, para renascerem tangidas pelo impulso gregário das “grandes famílias”.

Oligarquias, existem de muitas formas e formatos. Conservadoras, liberalíssimas com os bens públicos, reacionárias a toda e qualquer mudança anunciada; de inspiração sindical e até dominadas por ideologias asseadas e provisórias, destas que se adaptam a qualquer situação e a todas as circunstâncias.

As eleições que se aproximam, em clima de generalizada confusão política e eleitoral, com a proliferação pouco asséptica de candidaturas improvisadas antecipam, entretanto, algumas mudanças, renovadas ciclicamente que a muitos otimistas parecem plausíveis — o desmantê-lo das oligarquias instaladas.

Não que os novos arrivistas possam trazer no seu bornal de favores compartilhados novas virtudes peregrinas, Afinal, nada mais semelhante a um oligarca e a uma oligarquia do que outro oligarca e outra oligarquia.

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.

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