AS DUAS FACES DO LOGOS

Carlos Gildemar Pontes

 

A partir da leitura do texto “A força da imaginação“, do confrade Rui Leitão, cronista prolífero que, diariamente, nos brinda com uma crônica bem elaborada dentro dos princípios da imaginação e da lógica que dela advém, tento fazer uma associação entre a imaginação e o ato de raciocinar.

O raciocínio pode ser lógico, quando se tem elementos para associar eventos e elaborar um pensamento ordenado para execução, e pode ser ilógico, quando imaginar pode ser apenas descansar o logos e agir de forma solta, livre de uma organização para materialidade. Os poetas, ficcionistas e cientistas usam a imaginação criadora, potencialmente exequível, porque antes, existe de forma conceitual no espaço lógico da mente. Imaginar sem conhecimento é devaneio. O devaneio dura o tempo em que está em movimento na mente, logo se perde quando a realidade assalta o pensamento de repente. É por isso que a imaginação criativa deve ter como precedente o conhecimento, mesmo que empírico da realidade. 

Tanto Platão como Einstein pensaram e formularam teorias com base num raciocínio lógico que foi revestido pela subjetividade da imaginação. Imaginação pode ser só um descanso da mente e ser inoperante como fator que impulsione o homem para criar. Uma espécie de sossego que paralisa e acalma, causando o freio do ímpeto criativo comum aos que não saem da ideia para o conceito. 

Por isso, escrevemos. Tiramos a imaginação do campo da inércia para o campo da probabilidade, da projeção, da possibilidade. É daí que surgem a Literatura, a Filosofia, a Ciência experimental.

Carlos Gildemar Pontes

CARLOS GILDEMAR PONTES - Fortaleza - Ceará Escritor. Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG. Doutor em Letras UERN. Mestre em Letras UERN. Graduado em Letras UFC. Membro da Academia Cajazeirense de Artes e Letras – ACAL. Foi traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas. Vencedor de Prêmios Literários nacionais, regionais e locais. [email protected] Tem 23 livros publicados, dentre os quais Metafísica das partes, 1991 (Coleção Alagadiço Novo, v. 29) – Poesia; O olhar de Narciso. (Prêmio Ceará de Literatura), 1995 – Poesia; O silêncio, 1996. (Literatura Infantil); A miragem do espelho, 1998. (Prêmio Novos Autores Paraibanos) - Conto Super Dicionário de Cearensês, 2000; Literatura (quase sempre) marginal, 2002 – Crítica Literária.; Os gestos do amor: magia e ritual, 2004 – Poesia (Indicado para o Prêmio Portugal Telecom, 2005); Diálogo com a arte: vanguarda, história e imagens, 2005 – Ensaios; A essência filosófica do amor, 2014 – Filosofia/ Comportamento ; Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura, 2014 – Ensaios; Poesia na bagagem, 2018 – Poesia; O olhar tardio de Maria, 2019 – Conto

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