ARRIBA FRANCO! Réquiem dolorido pela Liberdade

Espalha-se pelo ar esta saudação sórdida que maculou a honra da Espanha e revolveu o passado obscuro do país, a memória deplorável deixada pela Inquisição, o encalhe maldito da “Legenda Niegra” e da morte estampada na cara desfalecida das gentes.

El generalissimo Franco, “Caudillo por la gracia de Dios”, foi certamente a figura cuja lembrança recorda os tiranos que a Europa produziu e abrigou , pelos tempos sem fim de uma civilização abarrotada de fé e de metáforas filosóficas, desde as origens mais remotas aos novos verdugos e às suas ideias — Mussolini, Hitler, Stálin, Trotski, Lenin, Pétain, Salazar, alemães, espanhóis, russos, croatas, curdos, alemães, italianos — soldados em armas, monges e prelados persignados pela agonia santa das revelações da fé.

Foram-se, perdidos nos rastros das razões mínimas da História. Esquecidos, porém lembrados pelos feitos trágicos cometidos à sua passagem. A marca da sua passagem hedionda perdurou como manchas terríveis de sangue derramado sobre a terra. Nesse chão umedecido por tanta iniquidade ficou o húmus que continua a alimentar os novos caudilhos de outra progênie. São, entretanto, verdugos e tiranos enrolados nas palavras perversas da servidão ou nos princípios generosos da ética, da moral e do patriotismo, a falarem em nome da lei e dos princípios mais respeitáveis, das ideias de justiça e da equidade, animados pela serena capacidade roubada aos justos e pela autoridade que se espera de quem acusa, julga e condena.

Governar e distribuir a justiça, nas longitudes máximas do direito, são atributos civilizacionais que esperávamos terem sido incorporados aos ideais que nos servem, a nós brasileiros, como aos homens dotados de inteligência e animados pelo respeito à vida.

Por quem dobram os sinos das nossas angústias, do medo e das esperanças desfeitas que os novos senhores do Poder nos impõem nestes rituais perversos de xamanismo retardado?

Imagem BBC

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.

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Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.