Aberta a temporada de “passar a boiada” – Por Dalila Martins

3.500.000 hectares de mata (morta)! Assim começo minha estreia. Não porque eu queira. Poderia ser diferente? Poderia. Mas não é! As circunstâncias nos impedem de simplesmente fechar os olhos e fingir que “somos o país que mais preserva o meio ambiente”. Nesse conto de fadas, nem criança cai mais… E esse conto de fadas de horror, é orquestrado por um presidente que não liga a mínima para a riqueza ambiental e sua equipe desastrosa, liderada por um Ministro do Meio Ambiente, que nem sequer sabe o que significam essas palavras e muito menos sabe se o mico-leão-dourado habita as Florestas Amazônicas ou a Mata Atlântica.

Mas enquanto a boiada passa, vamos perdendo recursos naturais, diversidade de espécies da fauna e da flora, onde algumas ainda nem tinham sido descobertas, e outras que antes já estavam ameaçadas de extinção, como o caso da onça-pintada e da arara-azul, agora lutam para escapar das labaredas insanas do progresso acima de tudo. Tamanha devastação, não há como ser mensurada, afinal, são vidas (!!!) sejam elas animal ou vegetal, não tem preço ($), apesar de alguns acharem que dinheiro tudo paga, tudo apaga. Quem não lembra das barragens de Mariana (2015) e Brumadinho (2019)? Pois é, até agora nada de punição aos (ir)responsáveis.

A lógica insana e destrutiva do capital leva a humanidade e o planeta a essa situação de barbárie e devastação que vivenciamos globalmente. A busca por geração de riqueza, expansão de patrimônios, exploração de recursos naturais à todo custo, invasões à terras indígenas e reservas naturais, poluição, caça predatória etc. Tudo isso é reflexo de um modelo social mercantil, onde absolutamente tudo foi transformado em mercadoria, e essa precisa ser explorada até a última gota, mesmo tratando-se de recursos finitos.

Saúdo com toda gratidão e admiração, à todas(os) aquelas(es) que bravamente vem arriscando-se e dedicando-se a apagar o fogo que corrói nossas matas e devasta nosso bioma. Equipes de brigadistas, biólogos, veterinários e demais membros da sociedade sensível, que resgatam os animais feridos e encurralados pela cortina de fumaça ecocida.

E àqueles(as) que na sua ânsia sanguinária e avassaladora por acumulação de capital e poder, desmatam, devastam, poluem e matam nossa imensa biodiversidade, não devemos de forma alguma, deixar que se prossiga em impunidade. É preciso que nós, como sociedade, não permita mais que crimes como esses permaneçam sem um desfecho justo. Além de exigir a justa punição, é necessário que se faça uma reflexão acerca do modelo de sociedade em que estamos inseridos. Submetermos a natureza às regras de uma relação social baseada no acúmulo de capital, onde tudo é considerado mercadoria, é no mínimo irracional e incabível.

Dalila Martins

Dalila Martins

Maria Dalila Martins Leão é Eng. Agrônoma pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente é Mestranda em Agronomia/Fitotecnia pela mesma instituição. Amante da natureza e entusiasta na luta pela Emancipação Humana e Ambiental!

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