A REVOLTA DA POBRAIADA

Atenção, pobraiada, na qual, por falta de uma Ferrari na garagem e de uma conta bancária que me possibilite ir às Bahamas anualmente, beber água de coco, e por absoluta  discordância ideológica com a exploração, eu me incluo.

O planeta Terra está em agonia, fase final de esgotamento do modelo capitalista predador e suicida. O aumento da frequência dos desastres naturais e a mutação constante dos vírus é o sinal de um esgotamento irreversível do planeta. Os ricos já têm o plano A: Ilhas, lates, Submarinos, Mansões com Bunkers etc. Pobres e remediados têm somente a carcaça debilitada, um carro financiado, uma casa hipotecada e o SUS. Os governos mundiais sabem disso e trabalham para eliminar a pobraiada e salvar os ricos (cerca de 5% da população mundial).

O governo brasileiro vai ficar de fora e os ricos brasileiros, com raras exceções, vão integrar este time de sobreviventes para um mundo onde o dinheiro nada valerá. Porque parte dos ricos brasileiros é extremamente egoísta e ignorante. Falta-lhe leitura e humanidade. Os que integram a exceção têm leitura, mas não têm humanidade. O egoísmo estrutural do capitalista mais radical é eliminar a pobraiada e deixar o mundo para o exercício do seu ócio e vontade de poder. Só esquecem de que os seus corpos, carros e casas blindados precisam dos explorados para existir. E os explorados não precisam dos ricos para nada.

O controle geomorfológico da terra é ela quem determina. Será que a ricaiada se adaptará no mundo pós-apocalíptico? Não paguemos para ver! Os povos originários jamais destruiriam o seu habitat. São os colonizadores e seus representantes, até os dias de hoje, que estão destruindo os ecossistemas.

Salvemos o nosso planeta que eles estão destruindo e querem, por remorso de extinção, exterminarem dois terços da população para iniciarem um novo ciclo de destruição, com esse terço que sobrou, sendo a nova casta de explorados. Basta!

 

Carlos Gildemar Pontes

CARLOS GILDEMAR PONTES - Fortaleza–CE. Escritor. Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG. Doutor e Mestre em Letras UERN. Graduado em Letras UFC. Membro da Academia Cajazeirense de Artes e Letras – ACAL. Foi traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas. Tem 26 livros publicados, dentre os quais Metafísica das partes, 1991 – Poesia; O olhar de Narciso. (Prêmio Ceará de Literatura), 1995 – Poesia; O silêncio, 1996. (Infantil); A miragem do espelho, 1998. (Prêmio Novos Autores Paraibanos) – Conto; Super Dicionário de Cearensês, 2000; Os gestos do amor, 2004 – Poesia (Indicado para o Prêmio Portugal Telecom, 2005); Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura, 2014; Poesia na bagagem, 2018; Crítica da razão mestiça, 2021, dentre outros. Editor da Revista de Estudos Decoloniais da UFCG/CNPQ. Vencedor de Prêmios Literários nacionais. Contato: [email protected]