A objetividade da fala de Bolsonaro em Davos, por HAROLDO ARAÚJO

Muitos querem debater a fala e respectivos comentários da participação e comportamento do nosso recém-eleito Presidente da República no encontro de Davos. A forma como conduziu sua exposição ao mundo econômico, teve várias interpretações e em nenhuma delas considero tão importante, quanto a avaliação do conteúdo do discurso. É disso que cuidamos de apreciar nesse artigo. O conteúdo pode ter relação com o contexto da conjuntura mundial do momento.

Brasil e Argentina, juntos, lideram o conjunto das ações políticas e econômicas pela qual se orienta o restante das nações da América do Sul. O encontro de Maurício Macri com Jair Bolsonaro antes da viagem de Davos, foi uma senha para os rumos das políticas a serem observadas pelas nações sul-americanas. 11 dos quatorze componentes do Grupo de Lima apoiam o presidente interino Juan Guaidó que se autoproclamou Presidente da Venezuela.

As nações emergentes também enfrentam crises econômicas e mesmo a China sofre queda de crescimento do PIB, agora cai para 6,9%.e antes marcava números acima de 2 dígitos. O que Bolsonaro iria dizer? Abordaria questões óbvias? com foco em crises no seu discurso? Todos sabem que os recursos públicos já não podem financiar crescimento das nações. A Argentina de Maurício MACRI recorreu ao FMI, não dispõe de reservas e também acumula elevados Déficits.

Ainda recente, os governantes acreditavam que o MERCOSUL traria volume de negócios, suficientes, para a elevação da “Corrente de Comércio” entre os componentes e assim não foi. O BREXIT já impõe perdas futuras e o que esperar das oportunidades a serem geradas, senão através da maior abertura econômica? Uma situação que vem sendo costurada entre os componentes dos grandes “GÊS”, os EUA não mudam o tom ao reafirmar: “América Primeiro”.

Internamente o problema brasileiro não é menor, por que?  Entre outros motivos, 7 estados federados estão em estado de “Calamidade Financeira” porque suas despesas não são cobertas pelas receitas. A recente recessão nos deixou mais descobertos (déficit), quando não fomos capazes de reduzir as despesas do OGU (Orçamento União). Além disso, o momento econômico mundial e as dificuldades em obter apoio (congresso) para as reformas e ajustes, geram dúvidas.

Em discurso lá fora, em DAVOS, para uma plateia daquela importância, não caberia apresentar plano de recuperação, não naquele FÓRUM! Com 20 dias depois da posse? Não poderia ter sido outra sua fala, senão de destacar os pontos básicos que podem definir os rumos da nossa economia, no sentido de angariar a confiança de quantos pretendam investir no Brasil. Melhor um discurso assertivo do que um autocomiserativo. Frustrou muita gente sim! que torcia contra.

Mostrou a necessidade de abertura da economia com modernização das práticas estabelecidas, com a redução da carga tributária e a determinação de trabalhar pela estabilidade econômica. Bolsonaro se comprometeu a trabalhar no sentido de buscar a integração comercial com o mundo competitivo, através de equalização com as normas da OMC, governando pelo exemplo para angariar a confiança e amparo na segurança jurídica cobrada pelos investidores.

Bolsonaro destacou a necessidade de adotar medidas para melhorar a competividade e oferecer melhoria nos negócios, gerando atratividade para investidores. Buscará oferecer estabilidade aos que pretendendo investir, inclusive através do processo de privatizações a serem regulamentadas. Disse que pretende oferecer simplificação tributária com as reformas no sentido de turbinar a atratividade para investimentos, afinal seu nome é Fórum é Econômico.

O discurso de Davos, bem demonstra cautela, e, se ele tivesse se aprofundado na abordagem de qualquer que fosse o tema, inclusive ambiental, hoje receberia críticas mais fortes ainda.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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