A nova política monetária americana, por Ricardo Coimbra

Levou sete anos para ocorrer uma alta na taxa de juros nos EUA. A estratégia do Federal Reserve (FED) de incentivar a economia, colocando mais dinheiro no mercado, com a redução da taxa de juros entre 0 e 0,25%, era mantida no piso histórico desde o final de 2008, em função da crise do mercado imobiliário.

Ao longo das últimas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), o FED dos EUA vinha dando sinais que a economia norte-americana vem em gradual recuperação, o que justificaria uma elevação das taxas. Fato esse confirmado com o crescimento da economia no terceiro trimestre, que foi revisado para um ritmo anual de 1,5%. Além de uma melhoria significativa nas condições do mercado de trabalho e a demonstração de uma demanda doméstica sólida atrelada ao crescimento dos gastos dos consumidores. Se junta a isso a desaceleração das importações, o crescimento das exportações e do aumento dos gastos dos governos locais e estaduais. Como também a expectativa de que a inflação subirá no médio prazo para sua meta de 2% a.a, fazendo com que se tenha uma taxa de juro real negativa.

Diante disso a decisão é para uma nova taxa de juros que varie entre 0,25% e 0,50% e que esta deverá passar por um processo de elevação lento e gradual de acordo com o acompanhamento dos indicadores econômicos, podendo chegar ao patamar de 1,25% e 1,5% já em 2016, e que ainda propiciaria uma taxa real negativa em função de uma expectativa de inflação de 1,6% no mesmo período. Para o longo prazo a meta seria uma taxa de 3,5%. Junta a isso, também, a elevação da taxa de redesconto de 0,75% para 1%.

Ou seja, se inicia um ciclo de aperto monetário “gradual” que também evita mudanças bruscas no fluxo de capitais. E que se a mudança fosse postergada por mais tempo, as alterações poderiam ser mais elevadas e impactar nos mercados financeiros. Fazendo com que boa parte do dinheiro investido no mundo poderia migrar para os EUA, impactando diversas economias, particularmente as mais vulneráveis. E no Brasil, o cenário pode ser pior, dada à situação econômica e política atual, além da recente perda do grau de investimento, que deve levar a  fuga de recursos e elevação na volatilidade nos mercados.

 

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra: Mestre em Economia CAEN/UFC, Professor UNI7/Wyden UniFanor UECE/UniFametro, Vice-presidente Apimec/NE, Conselheiro Corecon/CE.

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