A NOVA MÍDIA COMPARTILHADA DA INTERNET

As manifestações em ambientes públicos contra as equipes de reportagem de rede Globo demonstra a rejeição a uma forma desrespeitosa de jornalismo.

Houve tempo, com as primeiras redes nacionais de mídia, com Chateaubriand, os Marinos, os magnatas paulistas, paranaenses e da mídia oligárquica dos estados, quando a “imprensa”, o rádio e a tevê, influíam, induziam e formavam opinião. Pensavam pelos brasileiros e falavam em seu nome. E faziam-nos obedientes e crédulos aos arremates especiosos das pautas da agenda do Estado.

A Internet mudou essa engenharia da construção da opinião. A web transformou-se em uma imensa praça, café de livre pensar, por onde as pessoas deitam a sua opinião, erram, cometem injustiças, mas realizam acertos que amedrontam governantes e políticos — e freiam os seus impulsos de manipuladores dos fatos e das circunstância por força dos quais eles foram produzidos.

Não há forma obstinada de criminalização, demissão, desmonetização, sentenças e julgamentos de suspeitos por atividades antibrasileiras que mude essa alforria da livre manifestação conquistada à beira dos computadores, dos tabletes, dos smartphones e da conversinha de balcão…

A Inquisição impôs a Galileu o silêncio e a retratação. Alguns séculos passados, os dogmas dos frades fundamentalistas foram negados e esquecidos. Entretanto, as teorias de Galileu sobreviveram e abriram as portas da ciência. Ampliaram as vistas dirigidas para o firmamento e para os paradoxos da política dos homens.

Não serão os marqueteiros da mídia e os empresários de fatos e circunstâncias produzidos que continuarão a fabricar a verdade. Será a sociedade, o povo, que à falta de um processo de educação formal, continuo e libertador, abrirão as cabeças das criaturas para o entendimento da manipulação de que têm sido historicamente vítimas indefesas.

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.