A INFORMAÇÃO ESPANTA O MEDO

Meus medos são poucos ou, posso dizer, que quase não os tenho. Sou corajoso? – Definitivamente não. Sou um medroso auto-consciente, com foco e determinação. Acaricio diariamente minha alma para que fique mais fina e ousada, buscando um sentido único na vida. O provérbio russo: – “If you chase two rabbits, you will not catch either one” é o espectro que me orienta (1).

Esclareço que ausência de medo, na minha ótica, não significa presença de coragem. Entendo ser resultante da consciência que você tem do seu papel no mundo, das informações que obteve e do autoconhecimento de suas forças e vulnerabilidades.

Quem vive com intensidade e faz uma leitura crítica da história da humanidade: tragédias ecológicos que dizimaram nações; guerras que ceifaram vidas da forma mais cruel; massacres de indígenas na colonização quase universal de territórios – o Brasil inclusive; destruição de Hiroshima e Nagasaki num piscar de olhos; escravidão global; pandemias que mataram populações inteiras; extermínio no campo de concentração em Auschiwitz (2); desastre de Mariana e Brumadinho; calvário de Cristo … … … ;

A letalidade do Covid-19 assombra, mas o conhecimento de fatalidades como essas, reduz e até neutraliza o potencial de ansiedade e temor.

Conforto-me em ver a seriedade e destreza da Comunidade Científica, procurando encontrar uma arma mortal para crucificar o Coronavírus.

Encho-me de ânimo ao observar a determinação dos profissionais de saúde, arriscando-se e pondo em risco suas famílias, sem proteção adequada, para salvar vidas alheias. Bravos guerreiros e guerreiras!

Vejo o medo estampado nas faces de alguns e a solidariedade nas mãos de outros … que doam insumos para minorar a dor de irmãos desassistidos.

Entristeço-me em continuar vendo o mundo comandado por inimigos visíveis, que matam, esvaziando estômagos, tanto quanto a Covid-19, que mata, asfixiando pulmões.

Alegro-me em saber que apesar de milhões de mortos (eu poderei ser um deles), o Planeta parou, a floresta amazônica está respirando mais aliviada, a fauna e a flora estão sendo alimentadas com doses menores de veneno.

Reflito: ricos angustiados por estarem ganhando menos; pobres que nada ganharam na vida, vivendo penúrias … abaixo da linha de pobreza absoluta.

Como trabalhador, respiro os ares do Socialismo e sinto meus olhos brilharem ao contemplar o Capitalismo anêmico em convulsão, com a cabeça recostada no ombro do sistema econômico imperialista, ganancioso e perverso.

Momentos finais, Paz Eterna, inimigo do povo!

Na quarentena, converso, leio, medito e escrevo. Recomendo essa prática saudável. A informação espanta a ansiedade e o medo.

Fechem os olhos para quem se exibe em vias públicas com máscaras “ocultas”. Indignidade e desrespeito total à vida. Cruz-Credo!

(1) Quem corre atrás de dois coelhos corre o risco de não pegar nenhum.

(2) Leia o livro EM BUSCA DE SENTIDO de Victor Frankl, médico psiquiatra que foi preso e viveu em Auschwitz. PDF disponível gratuitamente na internet.

 

 

Gilmar de Oliveira

Gilmar de Oliveira

Gilmar Oliveira é professor da Universidade Estadual do Ceará - UECE.

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