Médicos cubanos: o nosso muito obrigado, por Luiz Regadas

Após 5 anos o programa Mais Médicos com médicos cubanos chega ao fim. Parte dos médicos cubanos já começou a regressar  a Cuba e dizem que o presidente eleito não tem conhecimento e nem preparação para ser presidente e que ele não se interessa pela saúde dos brasileiros.
O programa Mais Médicos teve início em 8 de julho de 2013, pela então presidenta Dilma Rousseff (PT), e seu objetivo é suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil.  Foram 15 mil médicos para as áreas onde faltam profissionais, seja pelo número restrito de médicos que se formavam no Brasil ou porque estes não queriam ir.
O presidente cubano decidiu retirar os médicos cubanos do Brasil e assim se posicionou no jornal Granma de Cuba:
“O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçando a presença de nossos médicos, disse e reiterou que vai modificar os termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito para a Organização Pan-Americana da Saúde e o que foi acordado por ela com Cuba, ao questionar a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título e como única forma a contratação individual”
O programa Mais Médicos era composto, nessa segunda etapa, segundo o Ministério da Saúde, por 18.240 médicos em 4.058 municípios. Aproximadamente 8.400 eram médicos cubanos.
Segundo relatos do governo cubano, seus médicos, que pelo Brasil passaram desde 2013, foram aproximadamente 20 mil, e estes atenderam cerca de 113,3 milhões de pacientes brasileiros através do Sistema Único de Saúde (SUS).
O programa levou médicos a centenas de municípios onde um médico lá nunca tinha pisado. Com a saída dos profissionais cubanos perde essa população mais carente que ficará sem médico.
Importante lembrar que nesses cinco anos em que aqui estiveram, levaram saúde, carinho e solidariedade a muitos dos brasileiros pobres financeiramente e carentes de atenção básica. Estes médicos também ajudaram a zerar a mortalidade  infantil em muitos dos municípios brasileiros e levaram atenção básica a povos tradicionais que não tinham (ou demoravam muito a lá irem), como quilombolas, indígenas e outros.
Mais uma vergonha mundial que o Brasil passa e  de falta de humanidade com nosso povo carente.  Além de que, em um futuro próximo, será um tremendo caso de saúde pública que o país enfrentará.
Por Luiz Carlos Prata Regadas
Luiz Carlos Prata Regadas

Luiz Carlos Prata Regadas

Sociólogo e Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará- UECE. Tenho experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Política Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: política brasileira, geopolítica e influência da grande mídia.

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