Vazio Excesso, por RENATO ÂNGELO

Ei-lo desperto

Sem desperta tê-la

A consciência

 

No ralo café

O deserto comia

Na diária lida

Da noite vazia

 

E algo lhe faltava

 

Sua veste, crua

Nua de luzes

Ostentando banais

E opacos capuzes

 

E algo lhe faltava

 

Ao carro, pé, condução

Corria dentro da manhã fria

Com saltos saltando indo

Sobre ponteiros de relógios

Óbice bufo da néscia meta

 

E algo lhe faltava

 

Trabalhador…

Milionário…

Ou mendigo do milhão

Com assalto ao coração

De breve borda ao quadro

Se valor ele não tem

Que consolo ele teria?

Se a vida não vem… lhe trocam

Uma tristeza, mercadoria

 

E algo lhe faltava

 

Pagava suas taxas

Gozava e sofria

Amava e doía

No fundo da alma

 

E algo lhe faltava

 

Nem água, nem vinho

Nem fome ou fartura

Nem glória ou fracasso

Desterro ou ternura

Nem isso ou aquilo

A pergunta escondia

E por ausente a resposta

Sua vida doía

 

E algo lhe faltava

 

Ao ver-lhes, marcada

Máscara-fronte no cenho tendo

Mais vazio seguia

Que, embora comendo

Mais fome ele sentia

Do sentido em falta havendo

 

E algo lhe faltava

 

Na pergunta da noite

Às hostes das eras

Vivia e andava

E insepulto estava

Por viver sem resposta

Que da pergunta sofria

 

E algo lhe faltava

 

Não lhe faltava alimento

Não lhe faltava o dia

Nem carência de abrigo havia

Mas por ardil que pela sangria

Mas por capricho da vida vazia

A Vida faltava na “vida” que ia

 

E o que lhe faltava era a própria vida

 

Explode em grito!

Explode liberdade!

D’um mar sem alento…

Sufocado em tempestade!

 

Igual em tom, textura e cor

Às mãos e pés atados, tendo

Do tilintar de seus grilhões

Sem vida vai seguindo sendo

Renato Angelo

Renato Angelo

Mestre em políticas públicas, professor universitário, pesquisador, poeta e contista

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