VÃO-SE AS MEDALHAS DE OURO PURO

Ficam as doces lembranças e as amargas conjecturas…

Perdemos no futebol, estamos pendurados na avaliação da educação básica em todo o mundo, os nossos índices de desempenho democrático deixam a desejar, a criminalidade campeia, os índices de bem estar só diminuem em queda livre; a dívida externa cresce na justa medida dos gastos perdulários; a tributação arrasta as sobras miúdas das
desnecessidades do brasileiro, profissão “esperança”.

Os partidos políticos multiplicam-se como uma endemia descontrolada: crescem nas beiradas de amigos-sócios e da família providência, alastram-se pelos desvãos de corporações e interesses transversais…

Fazer leis e as promulgar tornaram-se uma atividade privilegiada que emprega gigantesca massa de manobra parlamentar. Desconsiderados os “subsídios” dos parlamentares pelo exercício de trabalho tão mortificante quanto perigoso, em permanente situação de risco ideológico, as vantagens e remunerações dissimuladas fazem do Congresso brasileiro o mais caro do planeta.

Estas magras vantagens encorajam, entretanto, os parlamentares e os “donos” dos partidos, como nas escolas de samba, a e redobrar o ritmo das suas patrióticas intenções.

O custo-legislativo visa, apenas, como sabemos, atender às expectativas dos “lobbies”, os interesses do governo, as pressões da mídia, as negociações entre amigos, a distribuição equitativa do Fundo Eleitoral, e as lealdades das bases inquietas…

Nossa economia estrebucha amarrada para que os seus vazamentos não perturbem as eleições municipais que se avizinham.

A unção dos prefeitos, a sagração das famílias oligárquicas pela voz das urnas, implica no controle de verbas vultuosas cuja serventia assume importância excepcional para a democracia, adequadamente municipalizada neste país, como se refere Lula a este lugar no qual vivemos e pagamos pelo que não devemos e alguns recebem pelo que não fizeram.

Para aviar as grandes mudanças, e necessárias, segundo as técnicas da governabilidade e da concepção da gestão democrática da usinagem das leis e da esmerada hermenêutica, ampliada pelos homens da ciência jurídica — empregaram-se agentes públicos dotados de acendrado espírito patriótico. São homens dotados de extraordinária formação intelectual cuja cultura espelha as potencialidades das oligarquias que os produziram.

À falta de outros equipamentos emergenciais, sobra aos brasileiros um artigo conspícuo — a esperança — bem de consumo pelo qual ainda não fomos tributados. Ademais, poucos são os bens republicanos de consumo relevante que escaparam à rapacidade do fisco. O riso, a raiva e a discordância. Por ora.

Ainda não foram, por deplorável descuido, proibidos ou tributados como bens de consumo imediato.

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.

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Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.