Uma dose de loucura, por Antonio Weluilson Silva Filho

A loucura afeta milhares de pessoas no mundo, ou melhor, todas as pessoas do mundo. Todo mundo já teve, ou terá, um momento de loucura, mesmo que seja uma vez na vida. Quando digo momento de loucura, estou falando daquele momento que percebemos que não faz sentido algum, ou se faz, é apenas para você mesmo. Não digo 100% de loucura, apenas aquele que vem e passa. Os vícios, os tiques nervosos ou qualquer ato “anormal” que as pessoas tenham, podem ser elementos que fazem o momento ser louco, mas não é disso que estou falando.

Digo, como se o trem das 11 estivesse chegando, e você o estivesse esperando passar, para aproveitar os benefícios que esse momento lhe proporciona. Levando-o para um mundo cheio de fantasias, mas sabendo que pode voltar.

Dizem que de médico e louco, todo mundo tem um pouco. Então, por mais que sejamos sensatos na maioria das vezes, uma hora bate aquele momento louco, e você perde a noção das coisas. Isso não quer dizer que a loucura seja de todo má, quem sabe ela seja apenas um mecanismo que o cérebro usa para não explodir, ou equilibrar o momento da vida, assim como a febre quando o corpo percebe algo estranho.

Erasmo de Roterdã, teólogo suíço, escreveu uma epístola exaltando a loucura, e colocando-a como uma deusa, que os poetas gregos acabaram esquecendo-se de citar nos contos. Ele dizia que a loucura era capaz de livrar o homem de seu pecado, assim como um deus o faz. “Já escreveu sensatamente alguém que ser deus consiste em favorecer os mortais”, dizia ele na voz da Loucura. O livro “Elogio da Loucura” de Erasmo de Roterdã faz simplesmente o leitor perceber o momento de loucura, como algo puramente positivo. Para ele, a loucura e a sabedoria eram a mesma coisa. “Sois todos muito sábios, uma vez que, a meu ver, loucura é o mesmo que sabedoria”. Tudo que fazemos requer um pouco de loucura, seja para trabalhar, estudar, ou qualquer coisa que mereça um pouco de ousadia, ou seja, tudo.

Quando a loucura pousar na sua mente, esteja preparado para usá-la para o bem, pois a loucura não é de todo má. Cada pessoa tem sua loucura diferenciada da outra, e se você puder discernir isto, sei lá, poderá até explorá-lo de uma maneira lucrativa, seja financeira ou intelectual.

Analisemos os grandes pensadores e criativos da história. Em suas épocas foram tratados como loucos por pensarem diferente dos outros, e pensar diferente não é nada mais que uma dádiva humana. Já dizia Ariano Suassuna (escritor) em uma palestra: “Os loucos veem as coisas de um ponto de vista original”. A loucura afasta o medo de pensar, ou de agir.

Por isso, respeito os loucos por suas ideias mirabolantes, que por serem ousadas e espontâneas tornam-se criativas. Se não fossem os loucos da história, muitas coisas não teriam sido descobertas. Assim como Thomas Edison, que através de vários experimentos loucos inventou a lâmpada. Albert Einstein foi considerado incapaz pelos seus mestres na infância, e mesmo assim foi ele quem propôs a teoria da relatividade, provocando uma verdadeira revolução do pensamento humano.

Os loucos fizeram deste mundo um meio de descobertas, e através dessas loucuras as ideias iam se concretizando. Nem toda loucura é igual, e nem todo mundo expressa como você expressaria. Alguns até conseguem conter-se, já outros não. No entanto, a loucura sempre será uma parte das pessoas que a maioria reprime.

Quem foi que disse que não existe lógica para nossas loucuras? Nosso cérebro cria reações automáticas mais próximas daquilo que se acredita ser lógico. Pergunte a qualquer neurocientista ou até a um psicólogo. Se tivermos alguma loucura impregnada em nossa mente, ela chega a ser um paradoxo, pois fica bem próxima da razão daquilo que acreditamos ser. Bom, isso que estou a dizer é uma loucura inacreditável, mas um caso a ser estudado.

Em todo caso, na minha vida tive vários momentos de loucura, em outras palavras, agi por impulso. Mas isso não quer dizer que eu tenha me dado mal em todas, nem vejo por este lado. Na verdade, todo momento de loucura vem acompanhado de boas experiências, mesmo que às vezes sejam essas ruins. No entanto, para mim, mesmo sendo uma experiência ruim, ela acaba por ser boa (por isso o paradoxo), pois ensina e nos deixa preparados para outros momentos da vida.

Experimente a vida. Ela é louca, mas é a melhor loucura que existe.

Não sei se esse texto faz sentido para você, ou se foi apenas um momento de loucura.

Weluilson Silva

Publicitário, graduado em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) pela Fanor/Devry, Escritor amador/ Romancista (em processo de publicação). Mestrado Incompleto de Gestão de Marketing pelo Instituto Português de Administração em Marketing (IPAM).

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