UM PRESIDENTE ATORMENTADO, UM CONGRESSO ACOVARDADO, E UM STF ACUADO.

​Cuidamos, aqui, na maior parte deste escrito, de um indivíduo que, sem qualquer pudor, já comemorou a morte de um voluntário durante o período de testes para aprovação de uma vacina contra o coronavírus, embora sua morte não tenha tido relação com o imunizante.

Por deficiência cognitiva e incapacidade de avaliar a gravidade da insólita atitude, não satisfeito e sem qualquer escrúpulo, em outra oportunidade também fez horrendas caretas em rede nacional de televisão e mídias sociais, imitando o sofrimento de uma pessoa agonizando por falta de oxigênio, em decorrência da omissão do próprio governo. Com esses deploráveis exemplos, o Presidente já havia provado ser desprovido de caráter, de um mínimo de humanidade, e padecente de agudos transtornos mentais, o que sugere uma grave psicopatia.

Diante de um comportamento tão atroz, não configurou surpresa o que afirmou nos dois pronunciamentos no dia Sete de Setembro, quando, mais uma vez, vilipendiou a Constituição, desafiou o acuado STF ao afirmar que não mais cumpriria suas decisões, e agrediu o ministro Alexandre de Moraes, com as costumeiras bravatas ameaçadoras, comportamento típico de um medroso desesperado, que se acovarda ante a realidade, que sabidamente não tem condições de enfrentar, além de submeter a xeque a decisão da Câmara dos Deputados, que rejeitou o voto impresso. O que se viu mais uma vez, foi o “mito” visivelmente transtornado e atormentado com a possibilidade cada vez mais real de ser apeado do poder, e vir a ser preso pelos inúmeros crimes que cometeu, como demostra esse trecho da sua fala em São Paulo: “[…] não serei preso; e só quem me tira do poder é Deus, ou se me matarem”. Com essa afirmação ele tenta se colocar como vítima.

​Em uma contextura de visíveis transtornos psíquicos, como os que estamos observando no comportamento do Presidente, o que se viu no último Sete de Setembro foi um homem visivelmente perturbado, isolado em uma bolha criada pelos seus apoiadores, intelectualmente tão ou mais limitados, e também atormentados pela derrocada do “mito”, formando um labirinto de alienação e isolamento cada vez mais distante da realidade. Não é demais afirmar que, se atestado de sanidade mental fosse uma exigência para qualquer pessoa se candidatar à Presidência República, o então postulante, Jair Bolsonaro, em vez do registro de sua candidatura, teria recebido uma guia de internação para tratamento psiquiátrico.

Desde já, peço vênia aos psiquiatras, psicólogos e psicanalistas por fazer essas afirmações, e ressalto que não se trata nem de pretensão, muito menos do exercício indevido e ilegal da profissão, mas, tão somente, constitui uma opinião ancorada na observação das falas e ações do atual ocupante do Palácio do Planalto desde que assumiu o poder, pois ele, ao que parece, além de sofrer de atrofia mental, carece de qualquer sentimento de afeto, pois demonstra acentuada indiferença aos não pertencentes ao seu grupo de apoio, se sente perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes, denota alteração dos sentidos, o que o impede de entender a realidade, tem a sensação de ouvir a voz rouca do Lula, ameaçando sua reeleição. Todos esses sintomas, segundo a literatura médica, caracterizam a mais rara das doenças mentais, que é a esquizofrenia.

A propósito, o jurista Miguel Reale Júnior, um dos maiores estudiosos do Direito Penal no Brasil, como o foi seu genitor – Miguel Reale, Reitor da USP e filósofo do Direito – declarou que o Presidente deveria ser interditado, e que juristas e parlamentares responsáveis têm que estudar uma fórmula para tal; chegou, inclusive, ainda em março do ano passado, a sugerir que o Ministério Público pedisse para que Jair Bolsonaro fosse submetido a uma junta médica para saber se teria sanidade mental para o exercício do cargo.

A respeito da interdição de um presidente por problemas de saúde mental, é bem espalhado na história do Brasil, como afirma o professor Rogério Tadeu Romano, em artigo publicado no Jusbrasil, o fato de que Delfim Moreira, havendo exercido a Presidência da República em 1918 e 1919 – em substituição ao presidente Rodrigues Alves, que morrera acometido pela gripe espanhola – foi o único afastado do cargo por ter sido considerado clinicamente louco. Isso porque, ao lume do Código Civil de 1916, o que deve preponderar é o interesse público. Desse modo, toda pessoa considerada “louco de todo gênero”, em tese, não pode permanecer no serviço público, tomando decisões e agredindo impunemente colegas e outras pessoas. Não é preciso dizer mais!

Reafirmando que se trata de um ser mentalmente transtornado, medroso bravateiro, por inspiração do ex-presidente Michel Temer, (os golpistas se identificam), dois dias depois do espetáculo circense que protagonizou em Brasília e em São Paulo, retrocedeu e publicou uma carta aberta, se desculpando com o STF e o Congresso, ora transcrita: […] “No instante em que o país se encontra dividido entre instituições, é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer: 1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar. 2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news. 3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia”.

Atentemos quanto tempo vai durar essa candura. A tal carta é a manifestação de oportunismo por medo do impeachment.
Sabe-se, de sobejo, que o deputado Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, reiteradas vezes foi desmoralizado pelo Presidente da República. A última ocorreu quando teve o resultado da decisão acerca do voto impresso, mais uma vez questionado pelo atormentado ocupante do Planalto, está sentado sobre cerca de 130 pedidos de impeachment. A pergunta que a maioria da sociedade brasileira, que mantém intacto o bom senso e a razão, está fazendo é: – quando o Deputado vai cumprir com o dever constitucional e pautar o pedido de abertura do processo de afastamento do Presidente? Ou será necessário que os “neoinsensatos” invadam a Câmara e o STF, o que seria uma desmoralização ainda maior, perante a Nação e o Mundo, para poder Sua Excelência cumprir com a responsabilidade que lhe cabe?

Senhor presidente Arthur Lira; senhor presidente Luiz Fux: a Nação está com medo e envergonhada do acovardamento dos senhores, que não agiram com a autoridade e a tempestividade necessárias que lhes cabem como representantes dos Poderes montesquieuanos do Legislativo e do Judiciário, ao tempo de impedir os desmandos da realidade em curso, que nos ameaça a todos.

No contexto do significado de medo e covardia, quem é, e/ou são os marica(s) – nós jornalistas integrantes da “urubuzada”, como fomos qualificados, por termos a coragem de desvendar e revelar para a Nação o possível cometimento dos crimes de responsabilidade do Presidente, pelos reiterados atentados à Constituição e à Democracia, pelo uso da Policia Federal, Receita Federal, COAF e ABIN, em favor dos seus membros familiares e amigos, revelando a movimentação financeira suspeita nas contas do senador Flavio Bolsonaro, há muito denunciado pelo MPF, por corrupção, lavagem de dinheiro e comando de organização criminosa, ou quem deixou de exercer as prerrogativas constitucionais para impedir que esses e outros crimes continuassem a ser praticados, inclusive contra a honra dos senhores? Discursos de indignação não resolvem e tampouco significam nada. Se lhes servem de consolo, produzem apenas manchetes de jornais e comentários dos analistas do óbvio.

Aliás, ante todas essas evidências, reafirmo a pergunta ao Presidente da Câmara, deputado Arthur Lira: o que falta para abertura do processo de impeachment?

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Arnaldo Santos

Arnaldo Santos é jornalista, sociólogo, doutor em Ciencia Política, pela Universidade Nova de Lisboa. É pesquisador do Laboratório de Estudos da Pobreza – LEP/CAEN/UFC, e do Observatório do Federalismo Brasileiro. Como sociólogo e pesquisador da história política do Ceará, publicou vários livros na área de política, e de economia, dentre eles - Mudancismo e Social Democracia - Impeachment, Ascenção e Queda de um Presidente - sobre o ex-Presidente Collor, em 2010, pela Cia. do Livro. - Micro Crédito e Desenvolvimento Regional, - BNB – 60 Anos de Desenvolvimento - Esses dois últimos, em co-autoria com Francisco Goes. ​Arnaldo Santos é membro da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo – ACLJ, e da Sociedade Internacional de História do século XVIII com sede em Lisboa.

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