TODAS AS VEZES QUE OLHEI PARA O HORIZONTE

Três amigos se reencontram para cumprir uma antiga promessa. Saindo de Fortaleza, eles embarcam em uma travessia de mais de duzentos quilômetros, caminhando pelos sertões inóspitos, rumo a Quixeramobim.

Embarque nessa viagem, junto com os personagens, por veredas e estradas do Ceará, em uma história recheada de lendas locais e narrativas que provocam sentimentos variados. Uma experiência inusitada e repleta de emoções.

Com descrições poéticas e muita sensibilidade, o relato busca envolver o leitor nessa peregrinação por lugares incríveis.

Para o narrador, o livro é uma jornada de autoconhecimento, o resgate de antigas lembranças e a conexão com suas raízes e histórias. Todas as vezes que olhei para o horizonte é uma grata surpresa e uma história grandiosa.

Trecho:
“A brisa da noite surge carregada de zumbidos de insetos e coisas aleatórias, um vento suave percorre os capins à beira da estrada trazendo odores sutis de pétalas e terra. Em rimas descompassadas, me vejo fazendo novas promessas que sei que nunca serão cumpridas. Barulhos indecifráveis, latidos de cães, gemidos da madrugada e o som de nossos calçados pisando rápido no
chão mal iluminado se mesclam em uma revoada desorganizada e sutil de vagalumes e pirilampos.
Giro o corpo para minha direita, inclinando a cabeça para trás, lanço um olhar rápido para as ruas adormecidas de onde saímos, suas luzes se esvaindo nas penumbras parecem carregadas de prelúdios mortos.
A cidade é agora um corpo inerte e cinza. Não me despeço, viro novamente e sigo esfregando minhas mãos vazias enquanto abro a boca engolindo todo ar que posso guardar nos pulmões, eu sei. . . eu sinto. . . uma outra guerra se armando em mim. Não dou atenção a este sentimento, por hora. Fui benzido no caos, para curar meu corpo, ele fora fechado, aos onze, pela velha benzedeira do bairro, que esfregando raízes, amuletos e preces, me costurou uma armadura na minha carne, me lavou as extremidades com ervas proibidas, amargas e secas”.

JT Ferreira

Sobre o autor:  JT Ferreira (1971), bandoleiro, autodidata, gambiarrista literário e futricador de quase tudo que inventa. Nascido em Fortaleza, Ceará, no dia 4 de junho do ano de seu nascimento, desenha, toca violão e escreve contos místicos, romances nebulosos e crônicas efêmeras. Gosta de acampar e de fazer caminhadas longas.

Mais sobre o livro: https://naldox.com/

Haroldo Barbosa

Jornalista independente, assessor de comunicação, sócio da @abraji, apaixonado por software livre.

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