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E…

QUANDO A MINHA MUSA INSPIRADORA, NOS EXTREMOS da generosidade que a faz tão singular, visitou-me – solícita e severa, serena e altiva, obsequiosa e perspicaz, dócil e rigorosa – para incumbir-me de produzir um poema, uma crônica, um conto ou

Desviando T.S.Eliot ou abril despetalado

Abriu a página do jornal
abril quatrocentos mil
Abriu lacuna
em desolado abril
E à tarde no Brasil, a noite dorme sem nenhuma paz
Abril, adormecido acordado, fatigado, ao nosso lado alguém jaz
enquanto no Planalto há um capataz
O enterro dos mortos, escreveu Eliot, “Abril é

FALTA-ME O AR

Quase 300 mil vidas
ceifadas de um último abraço
e sem que pudessem respirar seus lares
e sentir o amor borbulhante
…que pulsa no coração de quem fica
partiram rumo ao olimpo
para descansar os sorrisos que outrora nós fizeram sorrir e
valsar a música dos encantados..
fazendo

Poema Para Fernando Pessoa.

Algumas impressões do crepúsculo, e na hora absurda vem a chuva oblíqua nos paços da cruz. A súbita mão de algum fantasma oculto. Nesses episódios que me cercam sinto-me múmia.
Onde pus minha esperança?
Nas rosas que florescem!
Feliz dia para quem?
Esse Natal

Medos

Aprendi,
Desde pequena
A esconder
Medo em tapetes,
Tristeza em silêncio
Solidão em escrita
Mas por vezes,
Todos esses sentimentos
Me encaram no espelho
Desafiando-me
a ser mais
do que sou.
Não gosto deles
Nem de seus significados
e ousadia
De me encarar
Frente a frente
Como quem puxa uma briga
Grande parte das vezes,
Finjo não ser comigo
e

Angústia

Venho buscar
O que não é certo dizer.
Tua forma domina
meu jeito de ser,
Da enorme emoção
Subterfúgio do meu prazer

Deixo para trás
O que não busco em mim.
Não tenho certeza
Do que sou para ti.
Me faz suspirar
A dor que não senti.

Aquilo que fez florescer;
Angústia ou

Quio.P

Quero me entrelaçar
Nos teus cachos
Enrolar meus cabelos aos teus
Em um labirinto
Aonde encontro teu corpo
Despido com flores de girassol
Percorrer tuas montanhas
Caminhando com meus dedos
Sentir o cheiro do nascer do sol
Florescendo ao longo do dia
Como uma semente que brota.

A torre de marfim

Construímos juntos, tu e eu
Nossa bela torre de marfim
Pusemos em cada canto nu
Um sentimento
Em cada degrau, um alento
O tapete ao chão estendido
Na brancura se fez
Das sancas um inefável amor
A base era sólida
Corria pelos dedos nossos
O concreto da vida
No seu cume

A vida passa

O sol era árabe. “Frita ovo no asfalto, patrão. Pode testar”, disse o menino de roupas rasgadas, descalço e um saco de balas na mão, ao ver o vidro do carro baixar.

Nervoso, o motorista queria tudo naqueles segundos que antecederiam

estações

estações onde flores florescem
o inverno há de chegar, sobretudo teu sorriso
me faz permanecer sóbrio em pleno dia
chegaste da noite em plena calmaria
traz contigo o belo
o verão escaldante sobre águas frias que cobrem os seios
deixando meu corpo luminoso diante ao calor
traz-me