A propósito da eleição presidencial em tempo de peste (s)
A culpa, Brutus, não está nas estrelas Mas em nós mesmos, se nos submetermos. William Shakespeare, Júlio César Há um ano e meio, num congresso na cidade mexicana de Monterrey, um cientista político uruguaio, que cursara o mestrado e doutorado em universidades brasileiras, quase às lágrimas lamentava: “O Brasil não merecia o Bolsonaro”. A reação […]
A retorno da reforma política, ou o mal ronda a terra brasileira
O mal ronda a terra, presa de desgraças crescentes Oliver Goldsmith, A aldeia deserta “O mal ronda a terra” é um livro do historiador inglês Tony Judt, publicado em 2010, mesmo ano da sua morte. A associação do título do livro com a exumação da reforma política no Brasil não é despropositada, nomeadamente por conta […]
O Enigma e a Esfinge: decifra-me ou te devoro
“Uma república sem cidadãos de boa reputação não pode existir nem ser bem governada; por outro lado, a reputação dos cidadãos é motivo de tirania das repúblicas”, Nicolau Maquiavel Filomeno Moraes é observador arguto; um estudioso aplicado. Suas intervenções de politicólogo e constitucionalista demonstram atenta dedicação aos contrapontos da vida política brasileira. Nos prélios da […]
Adeus às ilusões, ou os militares na política
Talvez, pelo nível de preocupação que despertou, um fato político relevante destes primeiros meses de 2021 – marcados pela peste da Covid-19 e pelos ataques dos inimigos íntimos da democracia brasileira – tenha sido a publicação da “conversa com o comandante”, organizada pelo antropólogo Celso Castro e publicada pela editora da Fundação Getúlio Vargas. A conversa tomou […]
O ano em que vivemos perigosamente
O título deste artigo é homônimo ao do livro e filme (“The year of living dangerously”) escrito por Christopher Koch e dirigido por Peter Weir, respectivamente, retratando o ano de 1965 na Indonésia, quando começou a derrocada da “democracia guiada” – na verdade, uma autocracia – do presidente Sukarno. Ali, naquele ano, em decorrência de […]
O retorno do reprimido
[…] cresce sem freios a mais perversa das nostalgias: a nostalgia do medo, do ódio e do silêncio. Paulo Miyada Um dia treze de dezembro, o de 1968, deve ser sempre lembrado pelos brasileiros no sentido de proclamar solenemente: Ato Institucional nº 5, nunca mais. De fato, naquele treze de dezembro se editava talvez o […]
O diabo e a política brasileira
Os últimos dias proporcionaram uma dose cavalar de informações e impressões, achismos e análises, diagnósticos, prescrições e prognósticos, profecias, fantasias e superstições acerca do processo político brasileiro, tudo a partir dos resultados das últimas eleições e, mais ainda, das que aconteceram nas 57 cidades com segundo turno. Nesse oceano de artigos, entrevistas e reportagens, um […]
A pandemia e a questão do Estado (ou como há males que vêm com algum bem)
Este artigo trata de uma questão que, para muitos e até pouco tempo, já estava morta e em via de sepultamento: o Estado. Contudo, parece que a peste que assolou o mundo neste ano a fez ressurgir com considerável força. Fiquei um tanto congestionado mentalmente com tantos assuntos e temas, candentes e interessantes, que afloraram nos últimos […]
Dias nefastos para o constitucionalismo brasileiro
Os antigos romanos consideravam a existência de “dias fastos” e “dias nefastos”. Antes de ser condenado ao exílio nos confins do Império, Ovídio, um dos seus maiores poetas, escreveu os “Fastos”, um calendário poético incompleto, apenas de janeiro a junho, reunindo as principais efemérides político-religiosas, astronômicas e meteorológicas. Num exercício de imaginação, é razoável deduzir […]
Muralhas necessárias à liberdade de expressão,à liberdade religiosa e ao Estado laico
Duas matérias jornalísticas, veiculadas no intervalo da minha participação neste espaço, me chamaram a atenção: a reportagem “Pastores da Universal movem ações em série contra escritor por post no Twitter” (Folha de São Paulo, 10/10/2020) e o artigo de André Haguette “Pastores na política” (O Povo, 12/10/2020). A reportagem dá conta de que “dezenas de […]
Da importância de certos formalismos
A vida social civilizada, aí incluída a política, não pode menosprezar certos formalismos, pois, mesmo considerado que o importante é a substância, esta, para manifestar-se, não pode prescindir das formas. A sabedoria do senso comum indica, sem necessidade de, como já se disse em outro contexto, sutilezas metafísicas e astúcias filosóficas, que o desprezo por […]