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Confidências a Paul Celan

Todos os poetas são judeus.
(Marina Tsvetáieva)
ERA TERRA DENTRO DELES, e
cavavam.
Há mais do que terra dentro de nós, e cavamos cada vez mais. Em busca do centro de tudo. Dos dias, das noites e dos segredos não revelados, enterrados.
Cavavam e cavavam,

Confidências a Matilde Campilho

Um homem leva a mão ao peito e repete quatro vezes o nome do seu irmão.
Enquanto isso, Matilde, eu levo a mão à obra e repito sete vezes o teu nome como se fosse em flecha-canção.
***
Nu, de braços abertos, António

Confidências a Rosa

Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre — o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos

Confidências ao gato Nabuco

— O que tanto o incomoda, Nabuco?
Mal concluí tal indagação, o bichano subiu sobre a escrivaninha e passou a apontar-me, com a patinha esquerda, a página de um livro.
— Shif… zhshif… miau… miauuu!
— Calma, Nabuco, lerei, calma! — respondi. De

Companheiro Acácio e o pardal

— Companheiro Acácio, que tristeza!
Acácio calado estava, sorumbático ainda mais ficou.
Bem sei que quando ele se encontrava naqueles dias, era prosa perdida se me arvorasse a seu confidente.
Aliás, Acácio detesta os enxeridos, os fuxiqueiros, ou os curiosos trajados de amigos

Pedro de Bergerac

— Companheiro Acácio, não o sabia conquistador!
Se vou direto a esta sentença exclamativa, caro leitor, é porque tinha Acácio como alguém tímido. Apreciador da beleza feminina, claro, mas destituído daquilo… Como poderei descrever? Daquilo que encanta as mulheres.
Várias vezes o