Sociedade, jornalismo e verdade, por Danilo Ramalho

Estamos desembarcando no fatal mundo onde a verdade vale cada vez menos, em comparação com “fatos e versões”. Estou falando de nós, jornalistas.

Se profissionais, forjados no fogo da busca e investigação, já não ligam para reportar informações comprovadas, o que esperar da sociedade que historicamente se alimenta do jornalismo para tecer suas opiniões?

Repórteres precisam de tempo para trabalhar. Eis uma commoditie raríssima nas redações. Daí a busca pelo “furo”, um verdadeiro saco furado, se permite o trocadilho.

Uma sinuca de bico para o profissional e muito mais para a sociedade. Basta acompanhar a produção jornalística, seja impressa, televisiva ou virtual. Nada parece escapar da repugnante correria de manchetes e mais manchetes feitas sem o devido cuidado, a começar pelo desconhecimento do próprio idioma usado para escrever.

E não venha me dizer que são mudanças inevitáveis diante das

novas tecnologias da informação. A verdade é a mesma, ontem e hoje,

e será também amanhã.

Repetições de informação e dados são insignificantes (?!) diante do assassinato da verdade, uma realidade presente nas falas de correspondentes de guerra. Segundo muitos deles, quem primeiro morre num conflito, não é o homem, mas a verdade.

Eis uma guerra já declarada nos meios de comunicação, daqui e alhures. A indiferença é, sem dúvida, um dos principais alvos. Afiemos a mira, afinal, a desgraça (ausência da graça) está lançada quando cada um resolve aceitar “sua própria verdade” ambientado pelo relativismo nefasto que rodeia esta geração.

Danilo Ramalho

Danilo Ramalho

Jornalista, Consultor e Professor na Academia da Palavra

Mais do autor

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.