Só trabalhadores e empresários unidos por um pacto podem enfrentar banqueiros

(Trecho final de artigo Só o pacto social possibilitará a quebra do poder dos bancos, de J. Carlos de Assis, em www.jornalggn.com.br)

 

O domínio absoluto dos banqueiros no Brasil ocupa a semântica. São eles que, nos bastidores, controlam a grande mídia. Lembram-se de quando Dilma mandou o Banco Central baixar as taxas de juros? Os economistas neoliberais, com total cobertura da grande mídia, caíram de pau em cima. Ela teve que recuar, já que Presidente da República não tem poder real sobre banqueiros e financistas. Precisam de mais uma? De onde vem o Ministro da Fazenda, senão de um banco? E quem escapa de seu “ajuste fiscal”, a não ser bancos?

Não é apenas aqui, mas no mundo. O tremendo processo de concentração de renda das últimas três décadas resultou do poder neoliberal de dar todas as vantagens ao capital financeiro, à margem do próprio capital produtivo. No Brasil, a situação é ainda mais grave, pois os bancos impõem ao público e ao Governo juros pornográficos. Até a terminologia econômica é dominada. Por exemplo, desapareceram com o conceito de “senhoragem” dos manuais de economia neoliberal para esconder melhor o roubo da emissão monetária, antes do Governo ou partilhada com ele, hoje praticamente apropriada apenas pelos bancos pela forma peculiar como aqui opera a política fiscal-monetária.

Não vejo solução para essa situação fora de uma rebelião ordenada do setor produtivo. Deem o nome que quiserem, mas estou falando de um pacto social ou de um grande acordo social básico entre trabalhadores e empresários, ou seja, entre os que realmente produzem riqueza e que tem perdas objetivas se a economia continuar ladeira abaixo. Os exemplos históricos de soluções políticas pactadas ao nível da sociedade civil são muitos, da Suécia à Espanha, passando por toda a Europa Ocidental. No nosso caso o pacto não é apenas um processo político ao nível das classes sociais mais relevantes para sairmos da crise; é o caminho para evitarmos uma convulsão social alimentada pelo desemprego e pela queda da renda da população.

J. Carlos de Assis – Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor entre outros livros de economia política de “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, Ed. Textonovo.

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