SINAL DOS TEMPOS

QUANDO NO CÉU as nuvens se condensam, formando uma paisagem escura, nós entendemos o sinal de chuva aproximando-se. Ou quando alguém apresenta uma elevação de sua temperatura de base, deduzimos com este sinal do corpo humano a presença de um quadro infeccioso. Portanto, a semiologia, ou seja, a compreensão e o estudo dos sinais, que são informações apresentadas pelos eventos naturais ou resultados da ação humana, são fundamentais para que possamos entender os fenômenos, desde os mais simples aos mais complexos.

Sinal dos Tempos é também uma categoria teológica cristã que indica a necessidade de olhar mais atentamente para as manifestações do mundo com as quais a Igreja Católica tem algo decisivo a aprender. Foi com essa convicção profunda – e fecunda – que o Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II para promover uma densa renovação no agir, no sentir e no pensar de sua Igreja, escrevendo sua última encíclica, “Pacem in terris, em 11 de abril de 1963, propondo uma verdadeira mudança paradigmática, tanto na estrutura de seus estudos como na de sua ação. Ou seja, para João XXIII, a Igreja Católica deve ser simultaneamente docente e discente, mestra e aprendiz, com janelas, portas e portões escancarados para o mundo no qual e com o qual ela se faz tempo e espaço.

Ontem, primeiro de agosto, foi publicado o resultado da eleição na nova coordenação nacional do Movimento Político Pela Unidade – MPPU. Foram expressivos 2.332 eleitores a participar do primeiro pleito nacional que consagrou o pernambucano Edejohnson Pinto e a paulista Juliana César como seus presidente e co-presidente nacionais, empatados em primeiro lugar na votação, cada um com 858 votos. Sinal do tempo para este movimento político fundado oficialmente em 02 de maio de 1996, na Itália, por Chiara Lubich, e no Brasil em novembro de 2001.

Nós tivemos a honra de estarmos pessoalmente no primeiro anúncio público oficial do MPPU ocorrido no Encontro Internacional do Movimento Humanidade Nova, em 29 de maio de 1996, com 1.200 participantes dos cinco continentes. Havia ao mesmo tempo em todos nós uma alegria e uma expectativa enorme diante desta novidade nascida da espiritualidade da unidade portada pelo Movimento dos Focolares, do qual Lubich é sua fundadora. Mas um longo e doloroso caminho era preciso ser percorrido para se chegar até a esse processo eleitoral de ontem.

Aqui em Fortaleza, do ano de 2003 até 2009, juntamente com o advogado Paulo de Tarso Melo Lima e a filósofa Quitéria Gonzaga da Silva, compusemos a coordenação estadual deste movimento político. Foram anos muito fecundos, seja pelas diversas manifestações nas casas legislativas, como também pelos encontros periódicos com os políticos interessados na proposta, e ainda pela implantação e desenvolvimento de uma escola de formação política para juventudes, a Escola Civitas de Fortaleza (2007-2008). Neste período participaram ativamente do MPPU local a vice-prefeita Isabel Lopes; o deputado federal José Airton Cirilo; os deputados estaduais Nélson Martins e Francisco Caminha; os vereadores Guilherme Sampaio, Fátima Leite, Terezinha de Jesus, João da Cruz, Hélder Couto, Paulo Mindello e José Maria Pires. Infelizmente, por fortes desencontros com a presidência nacional de então, resolvi retirar-me da coordenação estadual.

Hoje desejamos a Edejohnson e a Juliana um mandato aberto para os sinais dos tempos, a exemplo do que fez o Papa João XXIII. Há uma Igreja católica antes e depois daquele papa. Nossos votos são de que, a partir desta eleição, o MPPU no Brasil e nos Estados da Federação abra-se para os sujeitos políticos engajados nos movimentos sociais e organizações populares lutando dia após dia para que tenhamos uma nova forma de ser do Estado brasileiro. E isto é política pura. Lembrando que os 2.332 votos são oriundos não apenas de eleitores, mas de cidadãos e cidadãs ativos esperando que essa abertura do MPPU aponte caminhos de participação real e concreta. Axé! Angatu! Felicidades!

Alexandre Aragão de Albuquerque

Alexandre Aragão de Albuquerque

Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor do livro Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial).

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