SERÁ QUE O MINISTRO FACCHIN SUSPEITAVA DO “IMBROGLIO” QUE ABRIRIA COM O SEU EMBRULHO ABSOLVITÓRIO AMPLO ESPECTRO?

Com o embrulho feito pelo ministro Facchin, Lula “poderá” ser candidato e não “será” candidato. Como poderá ser presidente se ganhar a eleição.

Dependerá de uma decisão de Lula, que por sua vez resultará, como óbvio, da avaliação das suas possibilidades eleitorais. Um estradeiro com a sua vivência de estradas e desvios não se perde numa encruzilhada. A sua derrota para Collor é uma frustração sem cura.

Para a democracia brasileira a confrontação Lula-Bolsonaro tem a dimensão de uma crise anunciada. De péssimos augúrios.

Isoladamente ou concorrendo numa eleição majoritária, Lula e Bolsonaro personificam a receita ideal de uma crise política de proporções nunca vistas.

Os seus desdobramentos,desde a abertura da campanha presidencial de 2022, são imprevisíveis no plano institucional e do equilíbrio democrático.

Movido pelas elevadas motivações que o levaram a soprar a poeira dos processos de Lula, teria o ministro Facchin, de hábito tão comedido, avaliado as consequências do seu patriótico labor quando o seu embrulho fosse aberto?

Por enquanto, comentaristas e advogados, que desfilam pelas telas de TV, exaurem os seus argumentos.

Lulistas apaixonados comemoram, sem saber bem o quê, e o presidente se esgueira entre a suspeição de Moro e a absolvição de Lula.

Bolsonaro quer vê-los arrastados pela justiça, Moro desacreditado e condenado por suspeição nas sentenças proferidas; Lula, condenado em todos os processos que se arrastam rumo à prescrição.

Tudo é possível, até mesmo quem possa acreditar nos impulsos patrióticos do ministro Facchin em defesa da operação Lava a Jato.

Foram-se o Covid e as vacinas: o país inteiro vestiu a toga, apanhou o Código de Processo Penal e extraiu as cansadas citações latinas dos velhos cadernos da faculdade…

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.

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Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.