Sem Plano B. É certo que o Plano A vai dar M – por CAPABLANCA

Primeiro, eles cortaram qualquer chance de investir em saúde, educação e segurança, quando propuseram e aprovaram no governo Temer a Lei do Teto de Gastos, congelando qualquer investimento na qualidade do serviço público por 20 anos. A promessa e o discurso era de que isso resolveria o déficit fiscal.

Segundo, eles passaram a lei que permitia a terceirização do trabalho sem limites, mesmo na atividade central das organizações de todo tipo, precarizando as relações entre empregador e empregado e gerando instabilidade. A promessa e o discurso eram destravar a contratação para diminuir o desemprego.

Terceiro, eles fizeram aprovar bem rápido e sem maiores debates uma tal Reforma Trabalhista, que desmontava a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e cortava direitos do trabalhador e aliviava obrigações do empregador. O discurso e a promessa eram que a medida geraria rapidamente dois milhões de empregos, pelo menos.

Quarto, eles estão passando um rolo compressor para aprovar a Reforma da Previdência, dizendo que ela é urgente, indispensável e que ela trará investimentos dos empresários brasileiros e do resto do mundo. Chegaram a falar em crescimento de 6 por cento ao ano por dez anos seguidos. Agora que a reforma andou nas votações, o discurso e a promessa já vão se tornando mais cautelosos.

Quinto, em paralelo, montam-se negócios de privatização que desmontam a estrutura de empresas  estratégicas que pertencem ao Estado e que podem ser usadas para promover crescimento econômico e desenvolvimento social. E privatizam com pressa, sem maiores estudos estratégicos, sem controles e sem reservas. E o que é pior: vende-se tudo a preço de banana em fim de feira.

Sexto, entregaram a maior descoberta de petróleo dos últimos cinquenta anos a preços mais baixos do que água salgada. O pré-sal que a petroleira brasileira descobriu, estimado por ora em 55 bilhões de barris, pelo menos, vale trilhões de dólares (é só multiplicar 55 bilhões pelo preço do barril no mercado internacional e você tem uma ideia). Acha pouco? Dispensaram as petroleiras estrangeiras de pagar impostos até o ano de 2040.

Sétimo, esvaziaram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, obrigando-o a devolver ao Tesouro seus bilionários recursos que poderiam ser dirigidos ao financiamento de médio e longo prazo da empresa privada nacional e da infraestrutura pública.

Oitavo, estão esvaziando também a Caixa Econômica Federal, que é fundamental para dar suporte à construção civil.

Nono, esvaziam o Banco do Brasil, com prejuízos monumentais para o agronegócio e para indústria e comércio do Oiapoque ao Chui.

Décimo, o Banco Central do Brasil foi reocupado em toda a sua direção por agentes do mercado financeiro privado e continua a pagar os juros mais altos do mundo, enquanto o mundo inteiro está pagando praticamente zero de juro para títulos públicos.

Vem aí uma Reforma Tributária que buscará aliviar ainda mais os já baixos tributos que pagam as pessoas e as empresas do andar de cima, e mantém sobrecarregada apenas a turma do andar de baixo. E a imprensa será convidada todo dia, toda hora, a convencer a população de que isso é bom, muito bom, urgente e indispensável para ela. E que isso vai gerar empregos, equilíbrio fiscal e investimentos fantásticos…

E muita gente vai acreditar.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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1 comentário

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    Francisco Luciano Gonçalves Moreira

    E o Capablanca esquadrinha, através de um “decálogo medonho”, a “capa preta” com que os gestores públicos tupiniquins vêm asfixiando os nossos sonhos, as nossas esperanças. E o porvir – por falta de oxigenação – vai se tornando cada vez mais esquálido… Pobre povo brasileiro!

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