São Sebastião

Acolho os desejosos por tapioca, buchada, sarrabulho e cuscuz, quem vêm a mim antes da badalada das 6h da manhã e antes de deitarem em suas camas e finalmente gozarem o sono dos que aproveitam a noite.

Recebo em minhas madrugadas o suor daqueles e daquelas que me fazem girar, que trazem milho, plantas, ervas, carnes, castanhas, rapaduras, frutas, verduras e as tão procuradas bugigangas de todo o tipo. Mesmo o noturno não consegue esconder as cores que em mim habitam.

Absorvo a conversa entre os boxes, as cozinhas e os clientes com seus pedidos especiais.

Sou ponto de encontro, de turismo, de referência. Sou polo astronômico!

Nino os que não têm cama e dormem em meus bancos, à sombra de minhas árvores e aos cuidados dos meus. Na verdade, estes também são os meus.

Renego o tempo. Dizem que tenho 22 anos, mas Fausto (Nilo) só me retocou. Na verdade, sou de Ferro e tenho muito mais de 100. Carrego, então, o peso de ter tantos anos, almas e vivências que minhas colunas quase podem falar.

Ouvi dizer que os tais dos Mouros vieram pelas bandas do Nordeste, que a toada com o gado, nossa cantiga e até essa coisa mercantil do mercado aberto vêm deles. Não sei se é verdade, mas os shoppings não nos vencerão.

Tenho nome de santo soldado de guerra, cair não é uma opção.

Jessika Sampaio

Curiosa, tagarela, viajante, feminista, caótica e contraditória. Ignorante sobre quase tudo e em constante aprendizado sobre o vazio da existência. Além de ser bicho humano, já atuei como jornalista, radialista, assessora de imprensa e de comunicação, coordenadora de comunicação e em lutas ambientais e LGBTQIA+. Em processo de aceitação da escritora que grita aqui dentro.

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