SAIR DA ZONA DE CONFORTO PARA TRANSFORMAR O MUNDO By Gilmar de Oliveira

Depois de ler o discurso de Jair Bolsonaro na ONU falando de soberania, direitos dos povos indígenas, etc e tal; após assistir ao áudio de Rodrigo Janot com o plano de matar Gilmar Mendes nas dependências do STF e suicidar-se; na sequência, olhar alguns blogs da Imprensa Independente, expondo as vísceras das instituições judiciárias, políticas e midiáticas com fatos e informações tóxicas, tive náusea, parei, respirei fundo e busquei na imaginação um lugar tranquilo e seguro para aquietar minha mente e ser compassivo.

Aportei à beira de um lago azul e manso.  Vi o reflexo do meu corpo alquebrado, tremulando na água límpida. Quis saber as horas e usei o método do meu pai, calculando o tempo pela posição do sol e a projeção da sombra de seu corpo na terra. Três horas ou três horas e meia no máximo.

O zigue-zague frenético de um beija-flor prendeu minha atenção. O pequenino pássaro, com sofreguidão, parecia cumprir a tarefa de dar selinho em todas as flores em meu entorno. Ao sair de uma flor para outra, executava um mirabolante curto voo de marcha à ré.

Quão bela é a natureza, pensei, com as mãos postas e a alma genuflexa!

Por que a “mother nature” é tão maltratada? Indaguei silenciosamente olhando o céu com vontade de chorar. Minha mente deu uma volta ao mundo:

Recordei o dia em que me voluntariei no exterior, falando com transeuntes  e distribuindo tabloides num trabalho de conscientização do povo contra o “global warming”.

Ouvi a voz adolescente e brava de Greta Thamberg clamando por respeito ao meio ambiente na ONU. Vi também seu olhar fulminante e seu gesto de menosprezo  cruzar com Trump. Coloquei a compaixão de lado e esbocei um sorriso de esperança ao observar o símbolo da arrogância mundial ser confrontado por uma jovem de 16 anos.

Minhas memórias dirigiram-se ao Paquistão e reverenciaram Malala Yousafzai que, com 16 anos, arriscou a vida ao cobrar do poder estatal o direito de estudar.

Greta e Malala são duas referências. Nós brasileiros temos o mesmo potencial e a mesma coragem. Precisamos apenas sair da zona de conforto para transformar o mundo.

Gilmar de Oliveira

Gilmar de Oliveira

Gilmar Oliveira é professor da Universidade Estadual do Ceará - UECE.

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1 comentário

  1. Ackson Dantas

    Ackson Dantas

    Ótimo texto, professor! Sair da zona de conforto é o que precisamos e devemos. Agir em direção a mudanças saudáveis e coletivas. A propósito de Greta e o que a rodeia neste momento, escrevi o texto As Lições de Greta, também disponibilizado aqui na plataforma.

    Abraço!

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