A retomada do crescimento e do emprego depende de duas coisas, por Osvaldo Euclides

A economia tem um comportamento cíclico que se impõe quase como inevitável. É da natureza dos negócios (em nível das empresas e dos mercados financeiros) que após uma baixa, sempre virá uma alta e após uma alta sempre virá uma baixa. Da mesma maneira, é da natureza da macroeconomia (na dimensão de países), que após um ciclo de crescimento, imponha-se um momento de ajuste e, inversamente, após um período de ajuste, aconteça um ciclo de crescimento. Fora desse figurino, há poucos países e mercados que conseguiram uma inércia (de movimento) positiva, algo como crescer pouco, mas firme e continuamente. Os exemplos dessa inversão cíclica na realidade brasileira são fartos.

Após o ajuste de 1964 a 1967, o Brasil cresceu como nunca entre 1968 e 1974. E o ajuste de 1964-1967 foi necessário após o crescimento acelerado do período de governo Juscelino Kubitschek. O governo Itamar Franco (1993-1994) pode fazer a estabilização porque nos dois anos anteriores, o governo Fernando Collor acumulou as melhores condições possíveis (ajuste macroeconômico) para que um choque pudesse ser bem-sucedido. E depois de um primeiro mandato de bonança (1995-1998), Fernando Henrique teve de lutar muito para evitar a quebra formal do país no segundo mandato (1999-2002). Lula fez um ajuste rápido em dois anos e a economia cresceu bem depois.

Apesar do pessimismo e do catastrofismo da imprensa, construindo e vendendo, minuto a minuto, por dois anos e meio, a ideia de que o Brasil está à beira do abismo e vive a sua maior crise econômica, estamos mais próximos da verdade se aceitarmos que as contas externas (balança comercial, saldo de transações correntes, fluxo de capitais, volume de reservas) estão em perfeita ordem após déficits perigosamente crescentes entre 2009 e 2012, que a inflação projetada para os próximos doze meses já caiu de quase onze para sete por cento ao ano e que o único problema que temos em termos de dívida interna é o monumental, inexplicável e desnecessário custo que o Banco Central tem para geri-la, um escândalo surdo.

Claro que há o desemprego e a queda do PIB. O desemprego bateu 10,2 por cento em fevereiro deste ano, contra 7,4% no mesmo mês em 2015 e a queda do PIB aproxima-se de quatro por cento ao ano, números muito altos. Resolvendo um, resolve-se o outro. E o remédio é a reconstrução da confiança que foi destruída nessa campanha da imprensa em torno da crise política, policial e judicial. Supõe-se que o tom da notícia vai mudar, na medida em que a pauta também deve mudar, chancelada a mudança de guarda.

Assim, se este raciocínio estiver correto, já se fez a inflexão com o ajuste cambial e já se inverteu a curva de inflação. Falta apenas o ajuste fiscal (até as pedras sabem que é preciso aumentar tributos, o governo atual tentou e não conseguiu emplacar a CPMF). Se for feito agora, rápido, bem feito, o crescimento e o emprego podem se recuperar mais rapidamente.

Pronto. Como diria o genial Mané Garrincha, agora só falta combinar com os russos.

 

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides de Araújo tem graduação em Economia e mestrado em Administração, foi gestor de empresas e professor universitário. É escritor e coordenador geral do Segunda Opinião.

Mais do autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.