RELIGIÃO, UM OPIÁCEO SEM PRAZER

A religião não só escraviza como aliena. Para alguns, é uma espécie de opiáceo.
Quando os cristãos chegaram na América, desconheceram toda cultura, toda religiosidade e toda harmonia com a natureza praticada pelos povos originários. Disseram que o Deus deles não servia e só poderiam se salvar se aceitassem o Deus cristão. E aí mataram, escravizaram e dizimaram aldeias inteiras com o objetivo de pilhar as riquezas. Depois, os cristãos trouxeram povos africanos e massacraram até a morte, sugando toda energia de suas almas, enquanto puderam lucrar. Viva Tupã, Oxossi ou qualquer entidade que se erija como Deus que não escraviza, não lucra e não se reveste por meio Malafaias, Macedos, Valdemiros e outras catervas do lixo humano.
Continuo afirmando que qualquer religião aliena e escraviza. E a ideia de Deus é uma criação humana com os fins de ser o escudo das religiões. Falo como humano de um planeta de 4,5 bilhões de anos.
Só adquirimos sentido gregário de sobrevivência coletiva de 30 mil anos para cá. A consciência é bem mais recente (Literatura, Filosofia, Arte) ainda não foi acessada por todos. Então, a religião ocupa o lugar da racionalidade e institui uma culpa e uma superioridade a algo/alguém fora do sujeito para que as suas ações estejam sob vigilância.
A consciência é a evolução do espírito alma, ãnima, energia que distribui a razão numa frequência diferente da frequência religiosa. Os seres evoluídos, a quem recorremos como santos, anjos, benfeitores, podem ser apenas seres de outras raças em suas tarefas de montar o quebra-cabeças da matrix que eles receberam para mudar de fase.
A recente imagem de pessoas tirando comida do caminhão de lixo revela a involução e a pseudopiedade anulada dos religiosos. Vi mais comoção e atitude dos ateus do que dos religiosos que usam Deus como escudo.
Em planetas com o dobro de anos do nosso, minha razão prospecta seres infinitamente mais evoluídos e, proporcionalmente, nos vendo como fungos, bactérias ou quiçá seus ancestrais antropoides dotados de ego e tentando acessar o lado oculto do próprio órgão que possuem e não usam adequadamente, o Cérebro.

Carlos Gildemar Pontes

CARLOS GILDEMAR PONTES - Fortaleza – Ceará. Escritor. Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG. Doutor em Letras UERN. Mestre em Letras UERN. Graduado em Letras UFC. Membro da Academia Cajazeirense de Artes e Letras – ACAL. Foi traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas. Tem 25 livros publicados, dentre os quais Metafísica das partes, 1991 – Poesia; O olhar de Narciso. (Prêmio Ceará de Literatura), 1995 – Poesia; O silêncio, 1996. (Infantil); A miragem do espelho, 1998. (Prêmio Novos Autores Paraibanos) – Conto; Super Dicionário de Cearensês, 2000; Os gestos do amor, 2004 – Poesia (Indicado para o Prêmio Portugal Telecom, 2005); Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura, 2014 – Ensaios; Poesia na bagagem, 2018 – Poesia; O olhar tardio de Maria, 2019 – Conto; Crítica da razão mestiça, 2021 – Ensaio, dentre outros. Vencedor de Prêmios Literários nacionais e regionais. Contato: [email protected]

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