Questões de interesse nacional não devem ser proteladas – Haroldo Araújo

Temos firmado posição acerca dos projetos que podem, depois de aprovados, criar um ambiente favorável à volta dos investimentos pela credibilidade na gestão pública, em face do impacto que provocam com a sua aprovação no saneamento das contas dos governos central e estaduais. Evidente que vivemos um momento de incertezas criadas por governos descuidados com a responsabilidade fiscal, mas ainda é tempo de mudar os rumos dessa infeliz escolha.

 

Desde o governo FHC, passando por Lula e Dilma foram aprovadas modificações nas aposentadorias com pequenas alterações que não foram populares. Podemos agradecer a estes governantes por terem aprovado essas mudanças que podem estar garantindo-nos a sobrevivência do sistema previdenciário vigente. Todas foram alterações tímidas porque os políticos não foram capazes de perceber que a vacilação aumentaria as desigualdades.

 

Qual foi a maior causa do agravamento do problema fiscal? O Orçamento! O déficit encoberto pelo imposto inflacionário, foi sendo desmascarado pelo chamado “Plano Real”. Por essa razão o Fernando Henrique deu início ao aumento da carga tributária que também não foi capaz de conter o crescimento dos déficits, uma vez que as despesas cresciam no mesmo ritmo, elevando a Dívida Pública que saiu de 32% para 79% do Produto Interno Bruto em duas décadas.

 

Se houvesse um crescimento econômico compatível, essa escolha seria suportada porque não haveria registro percentual tão elevado. Um texto de Dr. Mário Mesquita (Consultor) assegura que a carga tributária chegou ao limite ainda no final da década passada. Fica explicado o que levou o congresso nacional a aprovar PEC 95, de 2016. Pensou-se que o chamado “Teto de Gastos”, uma ideia de Henrique Meirelles, seria capaz de acomodar os problemas orçamentários

 

A tentativa era conter o aumento dos gastos e o ritmo de crescimento desordenado, certamente, diminui, mas não com números esperados: a redução de 07% nos anos de 2017 e 2018 foi, no mínimo, didática ao mostrar um caminho. Se a todos pode parecer impossível aprovar cortes que possam ser considerados impactantes, que se escolha uma forma de conter a sua elevação e de forma que o crescimento econômico possa ir absorvendo os déficits atuais.

 

À cada reunião do Congresso para discutir os pontos da reforma previdenciária, registram-se novas reduções da economia a ser realizada nas futuras gestões com os gastos das aposentadorias. Essa redução já saiu de R$ 1,3 trilhões para R$ 800 bilhões. Considerando-se que essa economia ocorrerá em 10 anos e somente a partir de 2020, ano da vigência, é que os resultados se evidenciarão – em equilíbrio – portanto, só nos próximos governos e até 2030.

 

Essa é a razão pela qual todos deixam o problema para o sucessor. Se FHC, Lula e Dilma tivessem contado com o bom senso dos deputados e senadores de então, o Brasil não estaria amargando elevadas cargas tributárias para cobrir rombos e nem a nossa dívida estaria crescendo com despesas irresponsáveis que penalizam a atividade econômica e os empregos. Tentam dobrar o governante e o problema sobra para os geradores de emprego e, em última análise, para o povo.

 

Deputados e senadores impõem alterações de modo a exibir força no sentido de conter os objetivos de produzir equilíbrio nas finanças do país. Conforme já dissemos, protelar os ajustes, vai direto para a conta das melhorias na geração de oportunidades de negócios dentro e fora do Brasil. Afirmamos que a economia e a política andam juntas e se tem uma coisa que precisamos aprender é a fazer escolhas. Os próximos pleitos, vão mostrar as verdadeiras opções do povo!

 

Vamos observar a atitude de nossos representantes no poder executivo e legislativo. Se atuam com responsabilidade e pensando no futuro dos brasileiros, ou estão de olho no próximo pleito.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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