QUEM QUER SER BONITO?

É preciso maturidade para conviver com o mundo virtual. E as gerações que me sucederam, salvo exceções de alguns indivíduos que destoam do sistema, parecem ter sido absorvidas pelo vírus da vaidade.
Os recursos de fotografia dos aplicativos filtram as imperfeições da pele e das formas e até se criou recentemente a “sua” versão mais novo, mais bonito e atrelado a um grande feito. Muita gente embarcou nesta e está cedendo a sua própria imagem à brincadeira de ser mais bonito ou simplesmente ser bonito. Fiz um texto sobre isso e creio que teve gente que se afastou de mim. Porque eu não queria brincar de ser o que não sou. Ou melhor, eu não preciso ser o que já sou. Minha autoestima não gasta dinheiro com superficialidades. Prefiro continuar usando o recurso da minha inteligência.

Estamos no limiar da existência enquanto espécie. Aderimos ao artificialismo ou preservamos nossa essência repleta de falhas e vazios? Se optarmos pelos artifícios da tecnologia anulamos nossa identidade. Se continuarmos na busca de respostas para preencher os nossos vazios, tornamo-nos uma ameaça aos status quo pasteurizado pelo controle externo.

A inteligência artificial já faz o trabalho pelos preguiçosos ou pelos curiosos que querem poupar tempo. O apagamento gradual do cérebro que começou lá atrás, com a espetacularização da vida, com os modelos de sociedades autoritários baseados no nazifascismo, produziu o que Orwell, Huxley e Débord propuseram em seus livros, a automação do indivíduo.

Vimos o que ocorreu no Brasil com o bolsonarismo e hoje, na Argentina, com Milei. Criou-se uma geração de imbecis consentidos e orgulhosos da manipulação de que são vítimas. São os papagaios adestrados. Se não barrarmos isso já, nosso futuro estará enevoado e incerto.

Há-Braços!

Carlos Gildemar Pontes

CARLOS GILDEMAR PONTES - Fortaleza–CE. Escritor. Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG. Doutor e Mestre em Letras UERN. Graduado em Letras UFC. Membro da Academia Cajazeirense de Artes e Letras – ACAL. Foi traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas. Tem 26 livros publicados, dentre os quais Metafísica das partes, 1991 – Poesia; O olhar de Narciso. (Prêmio Ceará de Literatura), 1995 – Poesia; O silêncio, 1996. (Infantil); A miragem do espelho, 1998. (Prêmio Novos Autores Paraibanos) – Conto; Super Dicionário de Cearensês, 2000; Os gestos do amor, 2004 – Poesia (Indicado para o Prêmio Portugal Telecom, 2005); Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura, 2014; Poesia na bagagem, 2018; Crítica da razão mestiça, 2021, dentre outros. Editor da Revista de Estudos Decoloniais da UFCG/CNPQ. Vencedor de Prêmios Literários nacionais. Contato: [email protected]

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Carlos Gildemar Pontes

CARLOS GILDEMAR PONTES - Fortaleza–CE. Escritor. Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG. Doutor e Mestre em Letras UERN. Graduado em Letras UFC. Membro da Academia Cajazeirense de Artes e Letras – ACAL. Foi traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas. Tem 26 livros publicados, dentre os quais Metafísica das partes, 1991 – Poesia; O olhar de Narciso. (Prêmio Ceará de Literatura), 1995 – Poesia; O silêncio, 1996. (Infantil); A miragem do espelho, 1998. (Prêmio Novos Autores Paraibanos) – Conto; Super Dicionário de Cearensês, 2000; Os gestos do amor, 2004 – Poesia (Indicado para o Prêmio Portugal Telecom, 2005); Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura, 2014; Poesia na bagagem, 2018; Crítica da razão mestiça, 2021, dentre outros. Editor da Revista de Estudos Decoloniais da UFCG/CNPQ. Vencedor de Prêmios Literários nacionais. Contato: [email protected]