Quem deveria atuar politicamente dá sinais de confronto

Da Proclamação da República para cá são decorridos 130 anos, fato que em termos de História é quase nada. Justifica-se, portanto, porque o Brasil ainda está em busca de sua estabilidade econômica, social e política. Após duas décadas de regime militar (1964-1985), tivemos que estabelecer regras para enfrentar o processo de redemocratização e afirmamos que ele ainda está em curso (são apenas 35 anos). Não aprendemos o que é uma ação ou medida Republicana.

Consideramos que, além das dificuldades originadas pelo processo democrático, o povo brasileiro deverá exigir de suas principais lideranças, principalmente daquelas que ocupam cargos de comando na administração pública, o compromisso com o fortalecimento de nossas instituições públicas. Isso se fará com atitudes e posturas de altivez e respeito de cada integrante do quadro de nossas instituições para com suas regras institucionais e para o bem comum.

Aqui e ali podem ser percebidas atitudes contestáveis, inclusive daqueles que deveriam dar o exemplo e não o fazem, colocando de lado o interesse coletivo e até mesmo do crescimento econômico, da recuperação dos empregos e da qualidade de vida. São decorridos 130 anos do fim do regime monárquico e muitos não percebem que somente a percepção da evolução nas tratativas políticas irão nos conceder o benefício de corresponder à confiança recebida nas urnas

Acabamos com a inflação que escondia gestões incompetentes e acabamos com os orçamentos fictícios. Falta convencer à uma parcela de integrantes de nossas instituições públicas que a consolidação democrática é que nos tem garantido a confiança e destemor no enfrentamento das crises de dentro ou de fora do Brasil. Falta convencer aos nossos representantes que cuidem de dar guarida aos projetos de interesse público e esqueçam do populismo nas escolhas.

A importância desse objetivo está centrada na responsabilidade cívica, social e com a continuidade da busca da estabilidade econômica que tem como estágio inicial vencer os desafios da manutenção da estabilidade financeira, que vem sendo conquistada a duras penas. Só teremos estabilidade financeira com a volta da confiança dos investidores, que desejam a volta do crescimento econômico e que depende das reformas capazes de equilibrar as finanças.

No momento em que precisamos de compreensão com as bolsas em queda e o dólar próximo de R$5,00, poucos se apercebem da junção do equilíbrio orçamentário como fato gerador da confiança dos investidores no Brasil, que querem ver estabilidade na política. O veto do Presidente ao aumento do BPC em face do elevado aumento dos gastos, foi derrubado nas duas casas legislativas: ‘Não se apercebem que este enfrentamento não é a melhor escolha agora!”.

O Dr. Mansueto Almeida já disse que: Se o veto fosse derrubado, e foi, o Ajuste Fiscal ficaria ameaçado. Repetidamente sou um dos que têm apelado para o bom senso das autoridades. É preciso que haja sensibilidade dos nossos representantes no poder legislativo para que tenham responsabilidade. O momento exige entendimento e exige cautela. Será que não se apercebem da gravidade do momento vivido pelas nações com pânico nos mercados e especulação burra!

Em momentos de pânico generalizado e diante da pandemia do vírus que se alastra, pedimos compreensão de quantos não se tocam para o fato de que poderão ser apontados como coautores ou corresponsáveis pela desagregação social. Trata-se de um enfrentamento que não cabe em momento de busca de solução. Há exacerbação das discordâncias que podem ser colocadas em momento mais propício, mas não agora em que o mundo todo se põe de joelhos.

Câmara e Senado são casas políticas, portanto do entendimento, que, infelizmente, nesta difícil quadra, enviam sinais de que desejam o confronto e assim desconstruindo a nossa democracia.

 

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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