Qual o teu tom, 2021?

Abre-se o prelúdio de mais um ano. Os primeiros acordes do novo ciclo – ainda saídos de uma harmonia muito tensa – deixam para trás uma sequência de 365 notas em sua grande maioria bastante dissonantes, amargas de se ouvir e, por muitas vezes, ensurdecedoras de sentir. Notas com gosto de medo, cheiro de partida e ecos de tristeza.

2020 não foi mole na vida em geral. Porém, tal como a Caixa de Pandora, a música sempre saía do fundo do baú como uma nova esperança. Essa arte (bem como tantas outras) teve um papel fundamental para nos salvar, sobretudo nos momentos em que mais não sabíamos de nada sobre o vírus e onde menos esperávamos uma luz no fim do túnel.

Vimos as lives como bálsamo de alegria e conforto, ao passo que tantos músicos e profissionais da música perderam empregos e sua renda.

Mas assim como celebramos com os artistas a partir de nossas casas e nossas telas – enquanto tentávamos nos desligar das tristes notícias sobre a crise sanitária, observamos resignados a partida de tantos grandes da música e das artes: foram-se o mestre Van Halen, Neil Peart (lendário baterista do Rush), Chadwick Boseman (o eterno Pantera Negra), Little Richard, Paulinho (inesquecível voz do Roupa Nova), o lendário produtor Arnaldo Saccomani, a adorável Nicette Bruno (deixando tantos netinhos órfãos de sua Dona Benta), Sean Connery – o eterno 007; Moraes Moreira ascendeu sua barca aos céus, bem como nosso querido Tom Veiga/Louro José que foi bater um papo sobre futebol com o lendário Diego Maradona lá nos Campos Elíseos.

Mas o show não pode parar! E o quanto mais a gente puder se reconectar sempre com a arte – que nunca nos abandona, melhor. De minha parte, voltei a estudar música como uma das auto-promessas (nem sempre cumpridas) de ano novo, comprando um curso online que está me trazendo de volta ao princípio do princípio. Falando nisso, é bom traçar esses objetivos, mas tomemos também o cuidado para não nos cobrarmos tanto: o ano passado foi estranho, traumático e violento. Ilusão acharmos que os problemas do mundo se resolvam automaticamente quando acaba o 31 de dezembro. Vamos com calma, é o que peço!

Peço também, por fim, que enquanto aguardamos saber em qual tonalidade está 2021 e finalmente podermos nos afinar com ele e apreciar uma sinfonia deste Novo Mundo, abracemos mais a arte – não só ao precisarmos dela como remédio emocional. Estimulemos a produção artística, apoiando-a como nos for possível.

Viva a música, o cinema, a literatura e todas aquelas manifestações atemporais que nos fazem mais humanos a qualquer tempo!

 

Sérgio Costa

Sérgio Costa

Bacharel em Ciências Sociais pela UFC e em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) pela Fanor/DeVry. Publicitário por profissão, empresário por coragem e guitarrista por atrevimento. Apaixonado incurável por música, literatura, boas cervejas, boas conversas, viagens inesquecíveis e grandes ideias. Escreve quinzenalmente sobre música para a coluna Notas Promissoras do portal Segunda Opinião.

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