Qual é o perfil desejável de um candidato à Presidente, por Haroldo Araújo

Muitos são os candidatos à Presidente da República. Estamos há pouco mais de 2 meses para o pleito do dia 7.10.2018 e os pretendentes ao cargo sequer discutiram, publicamente, os problemas e como vão enfrenta-los. Tem até candidato que afirma não estar preparado ou em outras palavras: Não conhece nada de Economia. Questionamos: Como é que tem a disposição de tamanha pretensão? Será que este não viu o exemplo recente e no que deu o atrevimento.

Sabemos que a efetivação pura e simples não será capaz de oferecer senão a posse e exercício do cargo. Isso não basta! Todos sabemos que duas coisas são essenciais para o pleno exercício do mandato: “Capacidade Técnica” e “Competência Política”. A primeira só poderá ser avaliada com a discussão das propostas na campanha e a segunda não deveria ser examinada somente após a eleição e com a gestão para aprovação de medidas no Congresso Nacional.

Discutir em praça pública não é missão que possa ser exclusiva de orientação de marqueteiros, salvo a pretensão de conhecido estelionato eleitoral ainda recente (2014) e que jamais esqueceremos e o próprio Congresso Nacional perdoou, contemporizando com perdão político. A ninguém mais deverá ser dado esse direito, até pelo sofrimento que causou ao povo. Sair às ruas e mentir e depois ser perdoado. Ao contrário, deveriam pagar com severa punição o erro.

Sócrates (Grécia Séc. IV A.C.) foi contestado por suas ideias, mas não abriu mão de suas convicções. Não escolheu adversários e não buscou o confronto que lhe custou a vida. Acontece que pela contestação, ele encarou uma perseguição do poder absoluto de então. Seu entendimento de que haveria necessidade de respeito às instituições, foi mantido até seus últimos dias. Pensamento que se confrontava com as ideias absolutistas do poder.

Fica o exemplo de que são inalienáveis o direito ao pensamento e às ideias dos gestores públicos e privados e dos cidadãos em geral. Podemos partir do princípio de que não é essencial a expressão da vontade pessoal como personificação de uma gestão, mas torna-se imprescindível a preservação do respeito à verdadeira finalidade de um órgão público, com ações republicanas. É necessário que se observem princípios e valores morais e éticos na política.

Muitas pessoas estão legalmente habilitadas a fazer parte de uma instituição, mas é preciso ir além dos valores citados dentro da capacidade e da competência. Buscar o entendimento na política de forma assertiva, não deve ser confundida com insubordinação. Não é justo tirar os méritos de quem conquistou com bravura alcançar o feito, mas é preciso alertar, principalmente, aos que integram órgãos públicos.

Há necessidade de que os gestores possam ser alertados acerca dos descaminhos que esse exercício de função venha a sofrer pela não adoção de uma postura firme e inarredável. Até aceitaria votar naquele candidato que foi capaz de dizer a verdade. O que se exige é que todos digam logo como vão organizar nossas Finanças. Se vão reduzir despesas ou aumentar receitas ou se pretendem tomar empréstimos de longo prazo para dividir o rombo com gerações futuras.

É preciso saber como é que vamos cobrir rombos que herdamos e que foram encobertos até o fim da eleição passada. Pensaram em encobriu maldosamente e que acabaram deixando como legado para o sucessor. Estamos novamente diante do mesmo desafio: Escolher um líder que prometa e cumpra a sua promessa. Um líder que diga a verdade. O que esse candidato não pode é calar e esperar que uma nação inteira seja alvo de novo tipo de empulhação.

Citei o exemplo de Sócrates pela grande virtude de sua convicção e certeza do caminho escolhido. O candidato não pode tergiversar deve ser assertivo e firme nas ideias e caráter.

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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