PRÉ-LEITURA DO LIVRO “O MESMO DE SEMPRE – UM GUIA PARA O QUE NÃO MUDA NUNCA”, DE MORGAN HOUSEL


O AUTOR 

Morgan Housel, nascido em 1986, é escritor estadunidense bem sucedido. Autor do best-seller “Psicologia Financeira”, que vendeu mais de 3 milhões de exemplares em mais de 53 línguas, aborda em suas obras o comportamento humano em busca do sucesso em finanças e na vida. 

A PUBLICAÇÃO 

O livro “O Mesmo de Sempre – um guia para o que não muda nunca”, de Morgan Housel, foi lançado em 2023, pela editora Objetiva, com 232 páginas. 

CIRCUNSTÂNCIAS 

O título do livro expressa o exato objeto da obra: “o mesmo de sempre, um guia para o que não muda nunca”. O autor lista, explica e exemplifica com séculos de história essas imperfeições e desvios de hábitos comportamentais que, apesar de impróprios, são permanentes. O mundo muda, mas eles permanecem. 

A Academia Sueca, instituição encarregada de selecionar ganhadores do Prêmio Nobel, no caso da Economia, tem preterido estudos de Macroeconomia e Economia Política em benefício de trabalhos que põem foco nas finanças comportamentais. A sociedade e os mercados têm sido irrigados com uma enorme quantidade de publicações científicas e literárias nessa área. 

Morgan Housel ganhou prestígio nesse meio com um livro que teve grande receptividade (Psicologia Financeira). E ele segue produzindo em torno do tema, sempre puxando o eixo para o comportamento humano. 

Agora reúne 23 ideias que atraem interesse. E ele apresenta bem suas ideias.  

 A IMPORTÂNCIA DO LIVRO 

Parece até contraditório que, enquanto todos afirmam que a mudança constante é a única certeza em mercados e sociedades voláteis, como atualmente, um autor proponha um livro sério em forma de “um guia para o que não muda nunca”. Parece, mas não é. O que está em constante avanço são as tecnologias, os produtos e os serviços. Morgan Housel aponta o que não muda no que é, talvez, sutil no comportamento humano. 

E o referencial temporal do autor podem ser séculos quando se refere ao passado. E ao futuro. Sim, algumas coisas não mudam nunca. Até porque são demasiadamente, profundamente humanas. 

O LIVRO 

O livro se estrutura em 23 capítulos breves, cada um deles referindo-se (digamos) a um hábito, uma forma de

agir (ou reagir) em algumas situações e diante de certas circunstâncias. Housel apresenta cada um deles em linguagem simples e cem por cento acessível. Ele expõe a ideia, argumenta e exemplifica com historinhas curtinhas de eventos passados com personagens do mundo político (como Franklin D, Roosevelt ou sua esposa Eleanor), do universo militar (como o general norte-americano Patton) ou até do mercado financeiro (como Warren Buffet). E, sem delongas, passa ao seguinte, mesmo sem conexão direta entre eles. 

A ideia geral do livro, que parece contra intuitiva, vai se tornando aceitável e convincente. 

CURTAS 

“… Esse é o equilíbrio — planejar como um pessimista e sonhar como um otimista.

“Os que prosperam no longo prazo são aqueles capazes de compreender que o mundo real é uma série infindável de absurdos, confusão, relacionamentos complicados e pessoas imperfeitas.

“Quanto mais perfeitos tentamos ser, mais vulneráveis nos tornamos.

“ Tudo que vale a pena buscar vem com certo sofrimento. O segredo é ignorar a dor.

“ A única coisa mais difícil do que obter uma vantagem competitiva é não perder a vantagem competitiva que você tem.

“Estar certo instila a confiança de que não podemos estar errados…

“A Segunda Guerra Mundial começou em 1939 no dorso de cavalos e terminou com a fissão nuclear em 1945.

“Alimentar a crença que tudo vai dar certo nos conduz — como uma lei da física — há algo que dá errado.

“Os pequenos riscos não eram a alternativa para os grandes riscos: eram o gatilho.

“Direcionar a atenção das pessoas para um único ponto é uma das habilidades mais poderosas na vida.

BONS MOMENTOS 

“… Mas nossa felicidade depende inteiramente das expectativas. A primeira regra para uma vida feliz é baixar as expectativas. Se você tem expectativas irreais, vai se sentir miserável a vida inteira. É preciso ter expectativas razoáveis e aceitar com certa dose de estoicismo o que a vida lhe dá, tanto as coisas boas, como as coisas ruins, conforme ocorrem.

“As pessoas mais infelizes do mundo estão em balneários internacionais como a Riviera francesa, Newport, Palm Springs, Palm Beach. Indo a festas todas as noites. Jogando golfe à tarde. Bebendo demais. Falando demais. Pensando muito pouco. Aposentados. Sem propósito.

“Assim, o número total de eventos que se passam conosco é de cerca de 30 mil por dia, cerca de 1 milhão por mês. Se a chance de um milagre acontecer é de uma em 1 milhão, deveremos portanto vivenciar um milagre por mês, em média.

“Quando 8 bilhões de pessoas interagem, as chances de um trapaceiro, um gênio, um terrorista, um idiota, um sábio, um babaca ou um visionário causar um impacto significativo em qualquer dia que se escolha são de quase 100 por cento.

“… A informação era local porque a vida era local. O rádio mudou tudo isso, ao conectar as pessoas a uma fonte comum de informação. A televisão levou as coisas ainda mais longe. A internet pôs tudo em um novo patamar. As mídias sociais ampliaram a comunicação de forma exponencial…

“O cérebro humano é programado para eliminar rapidamente a dúvida e chegar a alguma decisão. É fácil perceber como a evolução faria os animais, ao longo das eras, moverem-se em direção à rápida eliminação da dúvida. Afinal, se há algo definitivamente contraproducente para uma presa ameaçada por um predador é levar um longo tempo para decidir o que fazer.

“… Os anos 1920 foram vertiginosos. Os anos 1930 foram puro pânico. Nos anos 1940, o mundo caminhava para o abismo. Os anos 1950, 1960 e 1970 foram da expansão à recessão, sucessivas vezes. Os anos 1980 e 1990 foram insanos. E a década de 2000 pareceu um reality show…

Sobre o autor:

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