Pré-leitura do livro ‘O Louco e o Estado’, de MARCOS ABREU – por Osvaldo Euclides

O AUTOR

Marcos Abreu é Poeta, Escritor, Declamador de Poesias, interprete do cancioneiro em MPB e outros gêneros; cronista, contista, romancista. Nascido em Fortaleza-Ceará é autor das seguintes obras:

“Poesias de um Poeta Louco”(1995), ” Nas Teias da Poesia” (1997).

A PUBLICAÇÃO

O livro ‘O Louco e o Estado’, de autoria de Marcos Abreu, foi lançado em 2019, pela editora Expressão Gráfica, com 76 páginas e prefácio do escritor Dimas Macedo.

CIRCUNSTÂNCIAS

O olhar do louco sobre a vida e sobre o mundo é único – e até pode ser comparado ao de uma criança no primeiro contato com alguma coisa. Este livro descreve as impressões e a experiência concreta na sociedade, nos dias atuais, de alguém que se admite e se define como louco, mas que duvida e critica as estruturas e as engrenagens que podem sufocar e esmagar pessoas. Guiado pelo autor, o louco (como diz o prefácio) “tem uma lucidez que espanta”.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

Nada melhor do que a palavra do escritor Dimas Macedo, no prefácio. Sobre o autor: “…estamos diante de um ficcionista maduro, carpido com o sangue das ruas e das praças, lugares onde o cotidiano das pessoas expõe o seu avesso e o espelho de suas necessidades…” Sobre o livro: “…mais do que um romance de tese, o que vemos na ficcão de Marcos Antônio Abreu é um corte de natureza filosófica aberto no coração da linguagem literária…”

O LIVRO

‘O Louco e o Estado’ foi organizado em dez breves capítulos. Ao longa dessa trajetória, os mais diversos aspectos da cena social corrente são examinados por ângulos singulares, com uma linguagem que expõe e torna aguda a sensação de falta de limite entre a loucura e a lucidez. A ideologia, a filosofia, a economia, a religião, a paixão humana, a família, o poder, tudo vai sendo despido e examinado de forma surpreendente. Pilantrocit é a cidade onde os eventos se desdobram – o louco vence uma eleição e assume. Ao final, a ideia do Homem Superior.

CURTAS

“A solidão do louco era tão grande quanto a solidão daqueles que se perderam dentro de si mesmos”.

“O que aquele pensador obsoleto não sabia é que a história da humanidade não é a história da luta de classes, mas sim, a história das tecnologias…”

“E enquanto o louco discursava, algumas pessoas o admiravam como se ele fosse uma espécie de deus, mas outros o odiavam porque ele falava a verdade…”

“…a pior doença que assolou um dia a humanidade não foi a lepra, a aids, o câncer ou qualquer outra que viesse a surgir, porém o mal da ignorância.”

“Amigo, uma pessoa desprovida de conhecimento espiritual não compreende a presença da Grande Alma no coração de cada ser vivo, e por isso não não consegue tomar decisões corretas.”

BONS MOMENTOS

“Quando o louco entrava em crise ele começava a dizer que era o Todo Poderoso e queria fazer justiça com as próprias mãos, ouvia comumente vozes e falava com espíritos, o que ele não compreendia era que quando ia ao movimento espírita, eles diziam que o louco era Médium, quando ia para as igrejas evangélicas, era tido como demônio, mas, quando estava diante dos psiquiatras, eles lhe diziam que ele era um doente mental. Tudo isso deixava a cabeça do louco completamente louca…”

“Quando o louo foi eleito, todas as grandes corporações pilantrocêntricas começaram a o elogiar na mídia e em suas publicidades e marketings, levando a crer que o louco era o grande salvador de toda aquela pátria corrupta, sebosa, doentia e psicótica, que seus dirigentes haviam criado. Mas eis que tudo tem seu princípio, meio e fim. O louco, contudo, não cumpriu as propostas que havia prometido aos dirigentes da Pilantrocit, e isso culminou em uma grande revolta popular totalmente articulada pela mídia virtual em parceria com a burguesa.”

“Esse comunismo tardio e esquizofrênico ainda hoje perdura na mente de milhões de pessoas, que querem o mundo da sua maneira. Os comunistas que o louco conheceu não passavam de capitalistas, havia um que se dizendo comunista, havia colocado uma editora para explorar seus próprios trabalhadores, quando seus trabalhadores eram postos para fora e iam procurar seus direitos na CLT: Consolidacão das Leis da Pilantrocit”.

“A presunção dos valores estabelecidos pelos que dominam nos constrange e nos faz reféns da sociedade capitalista, que já pôde expor todas as suas faces, desde o conceito de David Ricardo, Adam Smith, passando por Marx, Michel Foucault, as o louco era um profundo admirador de outros pensadores, e estava convicto de que a sociedade de consumo havia chegado ao seu final. Todas as instituições liberais ou neoliberais haviam chegado ao seu limite máximo de corruptibilidade”.

“O primeiro esotérico a iniciar o louco nos mistérios ocultos da sagrada magia foi o Grande Artista Plástico B3, um outro louco chamado Bruce Banner Barão, um homem extremanete versado nos rituais sagrados do ocultismo, falava constantemente do seu grande mentor intelectual J. R. R. Tolkien, o famoso Lord, que por falta do que fazer criara a saga ‘Senhor dos Anéis’, obra que mais tarde inspiraria ‘Harry Potter’ e inflluenciaria a literatura fantástica de George R. R. Martin, da série ‘Guerra dos Tronos’, sucesso em livros e na TV; Tolkien também influenciou George Lucas e seu maniqueísmo fantástico e mentiroso de ‘Jornada nas Estrelas’…”

“Sim, agora o louco tinha certeza de que uma nova Humanidade precisava ser repensada, para o surgimento do Homem Superior, o Homem que não precisasse mais do Deus Antropomórfico, das religiões para viver na sua plenitude, sem a arrogância bestial dos afortunados.”

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides de Araújo tem graduação em Economia e mestrado em Administração, foi gestor de empresas e professor universitário. É escritor e coordenador geral do Segunda Opinião.

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