Pré-leitura do livro NA HORA DO ALMOÇO, de Heliana Querino, Fátima Teles, Jessika Sampaio, Luana Monteiro, Daniella Cruz e Hadassa Cavalcante

AS AUTORAS

Heliana Querino (jornalista, escritora, pesquisadora), Fátima Teles (historiadora, pedagoga, escritora), Jessika Sampaio (jornalista, feminista), Hadassa Cavalcante (jornalista) e Luana Monteiro (socióloga, professora) e Daniella Cruz (psicóloga, gestora de RH), todas cearenses com idades um pouco acima de trinta.

A PUBLICAÇÃO

O livro Na Hora do Almoço, de autoria de Fátima Teles, Hadassa Cavalcante, Heliana Querino, Jessika Sampaio, Daniella Cruz e Luana Monteiro, foi lançado pela Editora Sarau das Letras, em 2020, com 263 páginas.

CIRCUNSTÂNCIAS

O site Segunda Opinião propôs que seis jovens escritoras escrevessem 12 textos livres sobre 12 diferentes temas conectados com a cidade – calçadas, bairros, ruas, transporte público e outros. Os textos sobre cada tema seriam postados simultaneamente no site e depois publicados em livro. A jornalista e escritora Heliana Querino coordenou a execução do projeto.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

O livro Na Hora do Almoço, de autoria de seis jovens escritoras, reúne crônicas sobre a cidade de Fortaleza escritas ao longo de três meses (12 semanas) ao longo do segundo semestre ano de 2019. Uma experiência singular de literatura, seja para quem escreve, seja para quem lê, ou apenas para quem queira sentir a pulsação da cidade, conhecer melhor a sua alma e os muitos cantos e recantos por onde anda e se recolhe a sua gente.

O LIVRO

Seis mulheres, seis olhares diferentes sobre elementos da cidade. Um tema, seis abordagens, seis estilos. A cidade, suas histórias, seus monumentos icônicos, seus redutos culturais, as ruas que rasgam um corpo como se fossem veias, a vida vista de dentro do ônibus, as mudanças que retiraram as pessoas das calçadas. Ou crônicas sobre a hora do almoço e especulações sobre como seria a cidade se… Palavras de afeto sobre o nosso lugar no mundo. Um livro singular. único, cheio de encantos. Manifesto de amor a Fortaleza.

Curtas (INSIGHTS)

“As páginas que escrevi, as letras que eu engoli e as palavras que depois recitei…os segredos que descobri e o cofre invisível onde eu escondi. (Heliana Querino)

“E se do preto e do branco foi possível tanta criação, podemos afirmar que Fortaleza se beneficiou desse olhar abdutor de cores e realidades. (Luana Monteiro)

“No final da tarde, quando a brisa ganha mais força e a luz do sol se faz mais branda, a praça vivencia um ritmo ainda mais calmo, um pouco da lentidão do caminhar e da fala. (Fátima Teles)

“Então, não me peçam para apagar as luzes que permanecem acesas na minha lembrança. Podemos continuar o passeio em outro lugar. Desde então não mais pisei nas pedras daquela Rua . (Daniella Cruz)

“A Lineu, como chamo intimamente, hoje tem problemas de avenida grande, engarrafamento, assalto e desordens, mas só perto do shopping, essas coisas que os shoppings trazem, mas em todo o resto ela ainda mantém o ar dos domingos de corrida de cavalo. (Jessika Sampaio)

“Quem vai pro Beco já sabe que o traje é roupa confortável, chinela que não faça calos, já que a andança é grande, e cabelo preso na piranha, porque se Fortaleza é quente no meio da rua, imagina em um lugar fechado e abarrotado. (Hadassa Cavalcante)

BONS MOMENTOS (Ideias Centrais)

“Os corredores do Estoril nos levavam a uma outra rua, e quando me dava conta, já estava de frente para o mar. Nessa hora eu sentia estar infringindo as regras e voltava correndo antes que alguém sentisse a minha falta. Parecia tão longe, sendo tão perto. Anos mais tarde descobri que, sem saber, todas as minhas fugas eram supervisionadas. (Daniella Cruz)

“Começo da tarde. Fim do horário de almoço. O cheiro de café no bule se espalha. Olho ao redor. Sinto-me como os intelectuais que compartilham os mesmos espaços que aqueles indivíduos que dedicaram suas vidas à arte. Suspiro em pensamento. Tudo parece tão espiritual, o tempo parece lento e respeitoso áquele ambiente de criação. Até o sol se fazia mais ameno para não ser incômodo, e sim inspiração. (Luana Monteiro)

“Recebo em minhas madrugadas o suor daqueles e daquelas que me fazem girar, me trazem milho, plantas, ervas, carnes, castanha, rapadura, frutas, verduras e as tão procuradas bugingangas de todo tipo. Mesmo o noturno não consegue esconder as cores que em mim habitam. Absorvo as conversas entre os boxes, as cozinhas e os clientes com seus pedidos especiais. (Jessika Sampaio)

“De peito aberto e disposta a começar outras versões de mim, a contemplar cada centímetro da rua, por onde caminhava pela primeira vez, deixando para trás o Liceu de Thomas Pompeu, Barão de Studart, Farias Brito, Juvenal Galeno e Maria Luiza Menezes Fontenele, ainda era cedo para saber se a Guilherme Rocha era uma rua envelhecida ou uma criança distraída. (Heliana Querino)

“Desculpa, Dr Carlos Alberto Studart Gomes, é bem merecido que tenhamos em Fortaleza uma praça com seu nome, mas vou confessar que considero “Praça das Flores“ mais bonito. É que entre a academia ao ar livre, playgroud, bicicletas compartilhadas, quadra poliesportiva, banca de revista, vendedores de pipoca, picolé e tapioca, essa bendita praça ainda tem cara de primavera o tempo todo. É incrível. (Fátima Teles)

“Quando a gente é criança, andar de ônibus é como uma aventura, tem uma certa magia passear pela cidade, olhando tudo através daqueles janelões enormes —  a gente  nem repara se estamos feito sardinha enlatada ou se o passageiro em pé ao seu lado esqueceu de passar o desodorante. Aí a gente cresce e pegar ônibus se torna um martírio, perde a graça e todo o encanto. (Hadassa Cavalcante)

Osvaldo Euclides

Economista e Professor Universitário.

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