Pré-leitura do livro HE, de ROBERT JOHNSON – por Osvaldo Euclides

O AUTOR

Robert A. Johnson (1921-2018) foi um psicanalista junguiano e escritor norte-americano. Entre 1974 e 2008 escreveu quinze livros dentro da mesma temática da psicologia humana. Vendeu milhões de livros no mundo inteiro.

A PUBLICAÇÃO

O livro “HE – A Chave do Entendimento da Psicologia Masculina”, de autoria de Robert A. Johnson, foi lançado no Brasil em 1987 (treze anos depois de sua primeira edição nos EUA), pela editora Mercuryo, com 110 páginas. Foi seu primeiro livro, entre 15.

CIRCUNSTÂNCIAS

O livro HE compõe uma série de três obras, junto com She e We, numa referência a Ele, Ela e Nós. O autor examina nos três a psicologia masculina, feminina e do par romântico, usando para sua análise e conclusões os conceitos e as ideias do psiquiatra/psicanalista suíço Carl Gustav Jung, contemporâneo, amigo e inicialmente discípulo de Sigmund Freud.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

O livro aborda a psicologia masculina a partir de um prisma singular, que une a lenda da busca do Santo Graal (cálice em que Jesus teria bebido vinho na última ceia, capaz de curar todas as feridas e males) pelos cavaleiros (à época do também lendário Rei Artur e sua Távola Redonda) e do mito de Parsifal. Neste livro o foco do autor é o relacionamento do homem com a sua parte feminina interior. A tese é que, no processo de amadurecimento de todo jovem, essa questão pode ser decisiva para a felicidade ou infelicidade.

O LIVRO

Parsifal é um jovem que foi mantido na floresta por seus pais, para que não se tornasse cavaleiro e fosse à guerra. Mas, depois de perder o pai e em função de alguns eventos fortuitos, ele parte em busca da corte do Rei Artur. As aventuras e desventuras do jovem nessa caminhada (para se tornar Cavaleiro, em busca do Santo Graal, em busca do amadurecimento, em busca da glória…) são colocadas em perspectiva para análise a partir da linha de investigação definida por Jung.

INSIGHTS (Curtas)

“…se um homem pretende curar-se, deverá reencontrar algo dentro de si que tenha a mesma idade e a mesma mentalidade que tinha na época em que foi ferido…”

“O bobo da corte profetizara, havia muito tempo, que a ferida do rei cicatrizaria quando chegasse à corte um bobo, um tolo absolutamente ingênuo…”

“…quando presa dos humores, o homem é dominado ou possuído por alguns aspectos de sua constituição feminina interior, parte do seu inconsciente.”

“A primeira coisa enganosa é esperar encontrar a felicidade dessa experiência  em algo que seja externo, ou que esteja em algum lugar. Não é possível, porque o Graal não é um lugar”.

“somos nós que criamos os elementos demoníacos ao excluí-los, pois é admitido correntemente que tudo aquilo que é rejeitado pela psique de alguém se torna hostil.”

IDEIAS CENTRAIS (BONS MOMENTOS)

“As leis da psique, as leis que regem a parte interior, são muito próprias, e frequentemente diferentes das externas. A questão de como tratar a mulher interior, e principalmente como diferenciá-la da de carne e osso, é a parte mais importante do mito.”

“Parte ele, então, ao encontro da mãe. Fica sabendo, porém, que tão logo ele deixara a casa, sua mãe morrera com o coração partido. Naturalmente, Parsifal se sente terrivelmente culpado pelo ocorrido, mas também isso faz parte do desenvolvimento masculino. Nenhum filho consegue a maioridade sem que, num certo sentido, seja desleal para com sua mãe.”

“Existem também os “humores”, assunto espinhoso, pois eles apresentam uma particularidade estranha, é como se fossem uma pequena psicose ou possessão, e aparecem num indivíduo que foi dominado pela parte feminina de sua natureza… quando tomado de humores, é como se o homem se tornasse uma “mulherzinha”. Um verdadeiro “dodói”.

“Jung descreve uma ocasião de divergência  entre ele e Freud por causa da natureza do inconsciente. Freud dizia ser o inconsciente um amontoado de sucata, formado de fatos sem valor reprimidos e rejeitados pelo indivíduo durante sua vida. Jung, por seu lado, insistia ser o inconsciente a matriz, o poço artesiano do qual brotava toda a criatividade, o que Freud não aceitava. Deu-se então a ruptura entre os dois homens. Isso foi assustador para Jung, jovem, inexperiente e ainda sem reputação…”

“Em meu consultório, algumas vezes, os homens vociferam quando lhes receito algo que acham estranho ou difícil: “Quem você pensa que eu sou? Algum tolo?”. E eu digo: “Bem, isso seria de grande ajuda”. Frequentemente é aquele algo ingênuo e tolo num homem que começa por curá-lo; e ele precisa aceitar a ideia, precisa ser humilde o suficiente e encarar o seu lado jovem, ingênuo, adolescente, e tudo, para então começar a cicatrizar a ferida…”

 

 

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides

Economista e Professor Universitário.

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