Pré-leitura do livro ´ARTE – da Estética e Outras Questões´, de ALDER TEIXEIRA e CAROLINA ARAÚJO – por Osvaldo Euclides

OS AUTORES

Alder Teixeira é Mestre em Letras e Doutor em Artes, professor aposentado da Universidade Estadual do Ceará e do IFCE. Escreveu os livros Guia da Prosa de Ficção Brasileira, Do Amor e Outras Crônicas, Drummond: Componentes Dramáticos e Estratégias Narrativas na Filmografia de Ingmar Bergman, entre outros.

Carolina Araújo é concludente de Arquitetura e monitora da disciplina Teoria e História da Arte, além de consultora e pesquisadora na área de urbanismo contemporâneo.

A PUBLICAÇÃO

O livro ARTE – Da Estética e Outras Questões, de autoria de Alder Teixeira e Carolina Araújo foi editado pela Sarau das Letras em 2019, com 178 páginas. Apresentação de Dimas Macedo, prefácio de Clauder Arcanjo e orelha por Paulo Elpídio Menezes Neto.

CIRCUNSTÂNCIAS

Algum tempo depois de sua aposentadoria como professor de história, estética e filosofia da arte, Alder Teixeira partilhou com a jovem pesquisadora Carolina Araújo suas notas e planejamentos de aula. Nasceu daí o projeto deste livro, que se torna real com todos os conteúdos de uma sala de aula apresentados no ritmo e na forma de uma conversa na calçada (ou no café de uma livraria), uma experiência, pois, didática e afetiva, tanto para os autores, quanto para os leitores, sem hora para começar, sem hora para terminar, com a vantagem que pode ser retomada sempre, e a partir de qualquer ponto.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

Estética, Arte, Filosofia, História, Beleza, este livro trata de tudo isso proporcionando uma leitura “leve e solta”, em ritmo suave, adequado a leitores de qualquer nível de conhecimento sobre os assuntos. O livro se desenvolve de um jeito singular, com perguntas e respostas curtas e que se desdobram de forma não linear – viagens de ida e volta no tempo colaboram para facilitar a compreensão e para educar a sensibilidade. Não importa quanto você saiba sobre o tema, já nas primeiras páginas você sentirá o quanto a beleza é capaz de provocar suas emoções. A tendência é ficar apaixonado.

O LIVRO

Tome uma pesquisadora criteriosa e um mestre experiente. Monte uma sala de aula enorme numa praça gostosa do bairro. Convoque, entre os mais simpáticos, poetas, pintores, diretores de cinema e teatro, músicos, filósofos, historiadores. Estabeleça um clima de conversação livre, mas breve e objetiva e garanta que todos participem. Proponha que toda comunicação se faça em linguagem acessível, simples e direta. O aprofundamento do conhecimento, da razão e da sensibilidade é permitido e estimulado. A erudição é bem-vinda, quando ajuda na compreensão. E entregue o comando a Carolina e Alder.

Esta poderia ser uma boa descrição do livro que traz também quatro páginas de referências bibliográficas, seis páginas com notas explicativas, onze páginas com selecionadíssimas citações e cinco páginas com um quadro da cronologia das artes.

Só que o livro é muito mais do que tudo isso.

CURTAS

“A arte é a única mentira verdadeiramente bela.”

“… é natural que se estabeleçam diferenças entre o sentimento pessoal do criador da obra, o sentimento contido na obra e o sentimento provocado pela obra no receptor da mensagem artística”.

“O que torna esses autores atemporais, capazes de despertar o interesse de povos de diferentes países, é o conteúdo humano de suas obras…”

“… arte contemporânea é toda a arte cujos padrões estéticos não se enquadram nos critérios clássicos tradicionais…”

“No teatro, o rompimento da quarta parede é o primeiro passo para o que mais tarde veio a ser chamado de “metateatro”, isto é, o teatro que “fala” do próprio teatro…”

“… A arte não quer consenso, não se curva à percepção positivista das coisas, e, em grande parte por isso, a arte dá de chinelo na ciência todos os dias.”

“No fundo, em alguma medida, o espectador recria a arte que recebe do artista, não raro apequenando-a ou lhe dando sentidos que não tem.”

BONS MOMENTOS

“O que é certo, pode-se afirmar, é que a convivência com o mundo da arte e com pessoas sensíveis, inteligentes, de gosto apurado, tende a educar também o nosso gosto, a nos tornar mais exigentes em termos de recepção estética. Não se gosta daquilo que se desconhece, e é o contato constante, íntimo, atento, com a arte – literatura, música, teatro, cinema, quadros pictóricos etc – que aprimorará o nosso gosto, tornando-o mais agudo, mais sensível e mais exigente esteticamente falando.”

“A máscara africana, nos lembra o historiador, é, agora, arte, não mais um adereço de magia; o santo de madeira, destinado a práticas religiosas, é arte e ganha espaço de destaque nos museus. A obra de arte é um emissor de mensagens, mas estas estão sujeitas ao ruído do tempo, que distorcem, suprimem ou acrescentam a essas mensagens novos significados. O objeto perdeu a sua função utilitária para ganhar uma função estética. Essa a razão pela qual se diz que isto é arte, aquilo não.”

“Literatura é evasão, fuga da realidade, na linha do que professaram os românticos da segunda fase, marcada pelo escapismo, a volta ao passado histórico, a idealização da infância, do herói, da heroína. Esta é a razão por que, num dado momento de sua evolução, o Romantismo pautou pela visão idealizada do mundo, em que o amor sempre vence e os finais tendem a ser felizes.”

“É preciso lembrar que muitos desses rótulos, gótico, realista, expressionista, ´fauvre´, surrealista, nasceram da pena de jornalistas, críticos, curadores, e muitos em princípio tiveram uma motivação depreciativa, a exemplo do que ocorreu aos impressionistas, que só depois decidiram assumir esse nome com que entrariam para a história da arte.”

“A metáfora, força máxima da poesia, é capaz de transferir para o objeto amado, e, por extensão para o receptor da mensagem poética, a intensidade desse sentimento e sua repercussão na vida das pessoas.”

“Há de comum entre o espectador e o crítico o fato de que ambos manipulam elementos da poética e da crítica, mas só um o faz com a intenção de formar opinião em torno de uma determinada obra e, com isso, fixar sobre ela uma valoração. A este chama-se crítico.”

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides

Economista e Professor Universitário.

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