Por uma humanidade que preze o verde das matas, não o das cédulas

A cada dia que passa fica mais claro que defender o óbvio, tornou-se algo essencial. Quem poderia imaginar que em pleno século XXI, numa era onde há constantes descobertas, inovações e avanços tecnológicos, teríamos que reafirmar que o planeta Terra não é plano, ou que as vacinas são importantes ferramentas de erradicação de doenças, ou que o desmatamento, as queimadas, a poluição industrial e doméstica, a mineração, o uso indiscriminado de agrotóxicos, o aterramento de cursos d’água, a especulação imobiliária em áreas de proteção ambiental, dentre outros, trazem consequências gravíssimas ao equilíbrio ambiental.

A luta pela defesa e preservação da natureza tornou-se uma questão ainda mais desafiadora. Primeiro porque isso pode até custar a própria vida e isso fica bem evidente se vermos os noticiários antigos e atuais, onde relatam casos de lideranças importantes, que desenvolviam papéis cruciais na luta ambiental, onde citamos Chico Mendes (assassinado em 22 de dezembro de 1988); irmã Dorothy Stang (assassinada em 12 de fevereiro de 2005); Carlinhos (assassinado em 1 de abril de 2012); Paulo Paulino Guajajara (assassinado em 1 de Novembro de 2019), Cacique Firmino Praxede Guajajara, Raimundo Benício Guajajara (ambos assassinados em 7 de dezembro de 2019) e tantas(os) outras(os), que pagaram com suas vidas, por se recusarem a calar a voz diante de um progresso que destrói o verde das matas em detrimento do verde das cédulas. 

Segundo porque trata-se de algo que vai muito além do que “apenas” uma luta ambiental, trata-se de termos uma visão mais ampla das coisas, ou seja, tudo está interligado. Lutar contra a destruição do meio ambiente e não questionar o porquê dele está sendo destruído, não levará a lugar nenhum. A lógica insana capitalista, que diante de sua barreira histórica, acelera o processo de colapso socioambiental, quer a todo custo salvar os últimos suspiros de seu sistema moribundo. No entanto, seu limite não pode ser confundido com o limite do humano sensível e da natureza. Muito pelo contrário. É preciso que se tenha em mente, que a sua superação é a única saída para frear a devastação de nossas florestas, rios, mares, vida. E a partir daí, podermos inaugurar uma nova relação social verdadeiramente livre e sustentável, onde o respeito ao meio ambiente prevaleça.

O movimento ambiental precisa dar-se conta de que o cerne da questão, a raiz do problema não está no fogo que devasta a floresta, ou na motosserra que derruba áreas verdes, ou até mesmo no sujeito que assume essas ações. Mas sim, na forma social baseada em um sistema ecocida e genocida, que em busca de crescimento, destrói as verdadeiras riquezas.

Portanto, lutar pelo meio ambiente, é lutar contra o capitalismo!

Por: Dalila Martins

Dalila Martins

Dalila Martins

Maria Dalila Martins Leão é Eng. Agrônoma pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente é Mestranda em Agronomia/Fitotecnia pela mesma instituição. Amante da natureza e entusiasta na luta pela Emancipação Humana e Ambiental!

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