Por que não diminuir os preços ao invés de aumentar salários? por Luis Eduardo Barros

No momento em que a sociedade brasileira começa a discutir, entre outros

gastos, a legalidade dos salários acima do limite constitucional – com muito atraso na

minha opinião – constato que estamos nos aproximando de um patamar de

maturidade social, há muito desejado por quem efetivamente se preocupa com o

destino de nosso povo. Não podemos mais fugir da dolorosa realidade que nossas

receitas não comportam mais nossos gastos desenfreados, principalmente com os

super salários.

Como economista, percebo nessa ameaça, uma oportunidade para nos

reposicionarmos diante do dilema de exigirmos mais salário para arcar com os preços

dos produtos. Como a fonte secou, estamos diante da necessidade imperiosa de

repensar o assunto. Como não podemos mais aumentar os salários para pagarmos o

preço do que precisamos, só nos restará o desafio de baixar os preços para caberem

em nossos bolsos. Caso venha a ser possível congelar os super salários ao limite

constitucional, entendo que finalmente poderemos ter uma massa crítica de peso a

cobrar soluções práticas e rápidas. Isto porque os supersalários são auferidos

majoritariamente por personagens importantes da República. Com esse apoio de

muito peso político, acredito que as soluções de como diminuir os preços finalmente

passarão a ter prioridade no debate nacional.

Soluções existem e não são poucas. Tanto é verdade que a maioria dos países

convive com crescimento e baixa inflação, pois focam primeiramente na redução dos

preços ao invés de subir os salários. Isso seria possível no Brasil?

Na minha opinião, reitero que sim. E as oportunidades são inúmeras. Basta

lembrarmos que os preços no Brasil têm que pagar os juros e impostos em níveis dos

mais elevados do mundo. O modal de transporte é baseado nas rodovias, que em todo

canto são muito mais caras que as ferrovias, hidrovias, cabotagem etc. Mais ainda no

nosso País, onde as rodovias são esburacadas e os demais modais sofrem da falta de

investimento e da onipresente burocracia. Além disso tudo, os preços refletem também

a baixa produtividade da nossa mão de obra, com pouca escolaridade além das

carências conhecidas de conteúdo prático.

Como se pode constatar, não precisamos de um diagnóstico complexo. Basta

enfrentarmos com inteligência e perseverança essas ameaças. Nosso desafio é

identificar o que precisamos fazer para baixar os juros e impostos? Como otimizar o

modal de transporte? Como incrementar a produtividade da mão de obra?

POR QUE NÃO DIMINUIR OS PREÇOS AO INVÉS DE AUMENTAR SALÁRIOS?

As soluções, repito, são inúmeras e muitas, inclusive, estão sendo propostas

pelo atual governo, como pouca aceitação popular, diga-se de passagem, porque

ninguém quer abrir mão de nada. Ora, se nada mudar, será inevitável tudo continuar

como está. Por isso, acredito que dessa vez as coisas poderão ser diferentes. Caso os

preços não baixem, como os privilegiados detentores dos super salários viverão daqui

por diante? Como são muito poderosos é que acredito que forçarão a escolha das

soluções mais adequadas.

O melhor dessa situação é que, provavelmente pela primeira vez na história

dessa nação, os privilegiados estarão pressionando por algo que será bom não só

para eles, mas para a sociedade como um todo. É esperar para ver!

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Economista e consultor empresarial.

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