Política bolsonarista: o crescimento da extrema pobreza e dos super-ricos

O fenômeno da pandemia veio tornar público as escolhas conscientes feitas por Bolsonaro, desnudando sua total incapacidade de liderança para agregar o povo brasileiro, falta de coordenação administrativa, inexistência de visão estadista, ausência de autonomia de análise e discernimento a partir de um pensamento racional equilibrado diante do quadro pandêmico mundial tão desafiador. Um verdadeiro desastre.

Desde o início da crise sanitária mundial, Bolsonaro tem agido de forma determinada em tratar a covid-19 com viés eminentemente ideológico, taxando-a como sendo uma “simples gripezinha”, para responder à demanda do seu grupamento composto por representantes do Capital e da Milícia – militar e religiosa – para os quais a centralidade da política situa-se no acúmulo privado de Dinheiro e não na construção do bem geral e na garantia dos direitos da Pessoa Humana.

Com a instalação da CPI do Genocídio no Senado Federal no final de abril deste ano, chegou-se à descoberta da ponta do iceberg de um forte esquema de corrupção assentado no Ministério da Saúde, sob a batuta de lideranças políticas e militares ligadas a Bolsonaro. Tudo leva a crer que o “modus operandi” encontrado pela CPI está instalado também em outros ministérios, levantando indícios de no governo Bolsonaro existir uma ampla e complexa rede de corrupção financeira, como indicou o ex-ministro Ricardo Salles quando apontou para a necessidade de “passar a boiada” enquanto a opinião pública está focada na tragédia da pandemia.

Uma das consequências desse perverso modelo político-econômico implantado pela dupla Bolsonaro-Guedes é o aprofundamento da desigualdade social, com o aumento considerável do número de pessoas em situação de extrema pobreza, como atesta o Boletim 29 de Conjuntura do DIEESE. Em diversos estados do Nordeste do Brasil, como no Piauí, a extrema pobreza atingiu 15% da população. Mesmo em estados mais ricos da Federação, como é o caso do Paraná, este percentual de extrema pobreza está em torno de 4% da população paranaense. Além disso, cerca 44 milhões de brasileiros não consomem alimentos em quantidade suficiente, dos quais 19 milhões enfrentam a fome.

Mas para os detentores do Capital, o governo Bolsonaro é extremamente benevolente. O número de bilionários aumentou durante a pandemia. Vinte e dois brasileiros adentraram a lista de pessoas com pelo menos US$ 1.000.000.000 (um bilhão de dólares) em patrimônio no ano de 2021. No total, são 65 brasileiros bilionários. Indaga-se: como o bolsonarismo pode pretender-se legítimo ao provocar tamanha desigualdade? Lembrando que, entre muitos desaforos, Paulo Guedes defendeu enfaticamente, como política pública de combate à fome, utilizar as sobras dos restaurantes para alimentar os empobrecidos pelo modelo concentrador de renda por ele implantado.

O próximo dia Sete de Setembro aproxima-se para demarcar a luta pelo FORA BOLSONARO. É preciso que entidades como CNBB, ABI, OAB e muitas outras representativas da Sociedade Civil assumam também o protagonismo de convocação e presença nas manifestações de rua, a exemplo do que o Brasil já realizou no passado com o movimento “DIRETAS JÁ”. É urgente uma grande articulação civil para a retirada imediata de Bolsonaro do poder, pelos fartos crimes comprovadamente cometidos. São mais de 100 pedidos de impeachment que estão na mão do presidente da Câmara dos Deputados. E somente uma grande mobilização popular será capaz de retirá-lo da presidência.

 

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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