Poema Para Fernando Pessoa.

Algumas impressões do crepúsculo, e na hora absurda vem a chuva oblíqua nos paços da cruz. A súbita mão de algum fantasma oculto. Nesses episódios que me cercam sinto-me múmia.

Onde pus minha esperança?
Nas rosas que florescem!
Feliz dia para quem?
Esse Natal chegou
e o sino de minha aldeia agora toca: Suave…breve…tão pobre e velha música.
É Natal e aqui não neva,
mas, agora chegou a tarde calma, cheia de céu tranquilo.
O momento da Iniciação,
chegou lá na sombra do monte, onde fiz minha autopsicografia.
Naquele momento passou uma nuvem sob o sol que dorme, pois sem ele a vida é nada, apenas uma onda que, enrolada,  está presa no Mundo que esquecemos.
Mas, eu nunca guardei rebanhos, sonhos, ilusões, pois o meu olhar é nítido como um girassol. Esta tarde a chuva caiu e fiquei debruçado sobre a janela. Há metafísica bastante em não pensar em nada, já que pensar em Deus é desobedecê-lo?.
De minha casa vejo o quanto posso saber do Universo.
De sol a sol não vejo mais rebanhos, já não me importo com as rimas, só raras vezes.
Quem me dera que eu fosse o pó da terra, o luar quando bate na relva.
Ah se eu pudesse trincar a terra toda.
O meu olhar azul não se entristeceria.
Conheci, hoje, que só a natureza é Divina.
Nem sempre sou igual no que digo e escrevo, se às vezes digo que as flores sorriem, pobres flores no canteiro de meu jardim.
Acho tão natural que não se pense, e há poetas que não são artistas: vivem como um grande borrão de fogo sujo.
Bendito seja o sol de toda terra!
Da mais alta janela de minha casa meto-me para dentro e fecho a janela e vejo meu Mestre.
– Vem sentar-se comigo, filho, come à minha mesa, as rosas do jardim de Adônis estão contigo.
Segue o teu destino de poeta; não precisas recordar o passado.
A flor que és, não a que dás, eu quero; não quero só vinho, quero acabar entre flores, na antemanhã, quero deixar o Nevoeiro e seguir rumo à paz.

Marcos Abreu, poeta e escritor.

Marcos Abreu

Poeta, Escritor, Declamador de Poesias, interprete do cancioneiro em MPB e outros gêneros; cronista, contista, romancista. Nascido em Fortaleza-Ceará é autor das seguintes obras: "Poesias de um Poeta Louco"(1995), " Nas Teias da Poesia" (1997)-Editora Passárgada- Pernambuco-Recife "Retalhos Poéticos" Poesia Livro-2000 Cordéis Publicados: " A Revolução Humana" publicado pela Fraternidade Arte e Cultura-2011 " O Rouxinol e a Rosa" Literatura Infantil- Editora Flor da Serra-2016 " A Coisificação da Sociedade na pós-modernidade" " Versos de Ouro" Fecomércio-Senac-Sesc-IPDC Antologias: Poetas da Praça do Ferreira-Editado Pela BSG-Bureau de Serviços Gráficos-Editor- Márcio Catunda-2018 "Amor Música e Poesia" Editor: Antonio Pompeu. Romances: " O Louco e o Estado-Expressão Gráfica-Fortaleza-2019-Edição e Prefácio-Dimas Macedo

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