ONDE ESTARÁ LINDALVA?!

Nasci num oásis chamado sítio Latadas. Com os olhos da mente, vislumbro minha infância e minha adolescência, ricas de experiências com a natureza e com o desejo ardente de ficar grande, casar e encher a casa de filhos, modelando Afonso e Maria, meus pais.

Lembro dos bilhetes e das cartas que fazia para as meninas em que nos acariciávamos mutuamente até matar a vontade.

Que tempo bom, de amor platônico, tão distante e tão compartilhado, permeando a vida da juventude sem televisão nem computador. 

Percebo que os corações jovens eram habitados por emoções, pureza e entrega naquele tempo. Havia sonho e romance. Os sentimentos eram trabalhados a curto, médio e longo prazos. A alegria e a felicidade estavam sempre presentes. Casamentos duravam a vida toda. Hoje tudo é pragmático, peremptório e fugaz. Conheceu, transou, esqueceu.

Ainda me lembro da primeira vez que peguei na mão de Lindalva, minha primeira namorada, na tradicional festa de Nossa Senhora de Santana em Jaguaruana. Sol escaldante, os dois de pé frente à frente; nenhuma palavra, somente olhares furtivos com os corações acelerados. Minha mão suada e fria, apertava timidamente seus dedos delicados e macios, dizendo: eu te amo. Ela, demonstrado pudor, corava a face e os lábios e baixava a cabeça. Com esse gesto, tornava-se mais sedutora ainda, mexendo com todas as células do meu corpo.

Longas veredas foram andadas, vistas e sentidas com intensidade; belas imagens gravadas com zelo no meu subconsciente. Agora, tudo tão distante e bem dentro de mim!

Hoje, domingo, dia de sol ardente, similar ao daquele do encontro com aquela princesa encantadora.

Sinto saudade e volto lá para reviver as mesmas emoções, olhando pelo meu retrovisor emocional.
Para compor um quadro perfeito, uma pergunta se impõe: Onde Estará Lindalva?!

Gilmar Oliveira

Gilmar Oliveira

Gilmar Oliveira, Professor Universitário.

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