O terrorismo cotidiano de Bolsonaro

Bolsonaro tem uma formação religiosa e militar, ou seja, é formado por culturas que são hierárquicas, autocráticas e avessas à democracia. Não existe religião e nem exército democráticos, todos são autocráticos. Neste, a obediência e a violência são instrumentos para manter a ordem e a disciplina.  Naquela, o domínio acontece a partir da crença de que o saber é uma revelação e que o poder pertence aos escolhidos. Ao ser um escolhido por apenas um terço dos eleitores, o presidente acha que tem legitimidade para decidir tudo, que sua vontade é a Constituição e que pode ser desresponsabilizado pelas mortes por coronavírus no país, para as quais contribuiu a sua ação genocida, com um arrogante e dai?”.

 

Na política, a lógica teocrática, militar-religiosa, como a de Bolsonaro, significa a implantação de um governo que legitima a banalidade do mal: o estabelecimento de um comportamento de guerra, em que“guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força” (George Orwell). É o uso da violência e da corrupção em um simulacro que tenta passar a ideia de compromisso com a pátria.

 

Bolsonaro é um fascista desnorteado. Passa a impressão de ser um ciborgue, um ser que se anulou como humano e, no seu sofrimento, por ter consciência que é um ser desprezível, bate-se para promover o fim de uma nação por meio de um projeto genocida. Quando urraeu sou a constituinte, sou o presidente e, portanto, sou eu quem mando, ele quer silenciar a oposição, quer apagar as individualidades e as diferenças no país, quer promover a morte e tem seguidores, gente que se identifica com a sua insignificância e encontra nele a oportunidade de ser alguma coisa, um incentivo a sua perpetuação.

 

Bolsonaro é o Frankenstein produzido pelos militares brasileiros, é um híbrido de laboratório militar que fugiu da caserna com ódio aos negros, aos homossexuais, às mulheres, aos índios, aos pobres, ao conhecimento científico, à natureza e à felicidade. Assistimos ao terrorismo  político cotidiano de Bolsonaro com apoio de gente nos três poderes, na sociedade, e não podemos mais aceitar tal situação. Chegou o momento de lutarmos pelo distanciamento dos militares da política, tal como consta na Constituição. Temos o direito de termos uma nova eleição para presidente, mesmo que uns não queiram.

Uribam Xavier

Uribam Xavier

Graduado em Filosofa Política e Doutor em Sociologia, professor da área de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais. Autor do Livro “O Capital e a Política”, editora Livro Novo, São Paulo, 2012.

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