O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil? por Capablanca

Nos Estados Unidos um presidente novo começa surpreendendo a todos: ele está fazendo o que disse que ia fazer. Até agora, como diz minha amiga SM, muito movimento, pouca ação, ou seja, muita zoada por muita besteira (um muro no México e o fim de uma parceria que nem começou e na qual ninguém nunca acreditou). Ele também disse que cortaria os impostos e é bem possível que o faça – provavelmente cortando o imposto dos mais ricos, como fez Ronald Reagan nos anos 1980, explicando que fazia isso para o bem dos pobres.

Por falar em ação, as bolsas de valores norte-americanas estão com os preços nas alturas, mas, se era por muitos esperado que elas caíssem com a ascensão de Trump, elas continuaram subindo deixando os níveis recordes para trás. Nos EUA, em tese, seria hora de vender as ações. Afinal, a regra é simples: compre quando está barato, venda quando está caro. Os índices de bolsa sobem desde 2009 (claro e inevitável, não por mérito do Obama, mas porque em 2008 elas bateram no chão). Retomando: seria hora de vender as ações que subiram muito nos últimos anos.

O problema é a pergunta que se faz em seguida. OK, vendo as ações. Onde aplico o dinheiro? Se os juros estão zero no mundo inteiro, onde posso ganhar algo? Em meia dúzia de países desenvolvidos, como Suíça, Suécia, Japão e Alemanha, os investidores pagam aos bancos para guardar seu dinheiro, ou seja, o juro é negativo. Natural, pois em tempos de recessão, juro alto é loucura, absurdo, é tiro no pé.

No Brasil o juro real é alto, inexplicavelmente altíssimo, e estamos entrando no terceiro ano de recessão. As empresas estão sofrendo com a queda das vendas e dos lucros, os governantes não têm nenhuma proposta ou plano que aponte para recuperação, só acenam com mais arrocho. Entretanto, a bolsa, que já subiu cem por cento nos últimos doze meses, está ensaiando uma segunda rodada de alta.

Nos Estados Unidos, a economia vai bem, as empresas estão bem, a bolsa sobe e o juro é praticamente zero. No Brasil, a economia está péssima, as empresas estão endividadas, a bolsa está em alta e o juro nas nuvens. É difícil explicar, não é fácil entender.

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

Mais do autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.