O pensamento bolsonarista

Espero que o leitor esteja bem e aproveitando de forma positiva este momento de extrema exceção. Quanto a este que vos escreve, uma boa surpresa me foi agraciada como recompensa pelas horas gastas (desperdiçadas?) na plataforma Youtube; o algotimo da plataforma me recomendou uma  ótima entrevista/análise de discurso sobre o bolsonarismo. Neste texto abordaremos alguns pontos abordados pelo professor João Cezar de castro rocha, professor de literatura comparada da UERJ, sobre a linguagem e e a visão de mundo do bolsonarismo em uma entrevista concedida ao jornalista Pedro Doria.Há um pensamento que é possível classificar como ”bolsonarismo”, e ele possui algumas características próprias, defende o professor. O bolsonarismo recorre a teorias da conspiração e preconceitos bastante difundidos em meios militares e em parte da classe média, deste modo alimenta uma delirante história alternativa da república brasileira que destaca um constante temor do ”perigo vermelho” um complô esquerdista que destruiria a pátria e trocaria o verde e amarelo pelo vermelho; ordem e progresso pelo socialismo.

 O professor aborda três eixos principais que sevem como alicerce a formação de mundo bolsonarista. Uma delas é advinda de uma leitura enviesada da Doutrina de segurança nacional criada pelos americanos no contexto da Guerra fria visando uma proteção interna contra a invasão de outro país, no caso, a União soviética.Este imaginário está presente em filmes como ”Amanhecer violento” de 1984 que aborda o cenário de caos decorrente de uma possível invasão soviética ao território dos EUA com o Exército Vermelho marchando sob as ruas americanas exibindo sua vitória  na Guerra fria.
  O segundo ponto desta narrativa é o texto intitulado Orvil, um livro secreto  do Exército brasileiro que destaca delírios conspiratórios sobre ”inimigos internos”(comunistas que não se cansam de tentar tomar o poder)  descrevendo minuciosamente as atividades de movimentos de guerrilhas comunistas no período da ditadura militar criando assim uma história alternativa da república brasileira batendo na tecla do ”perigo vermelho” constante e ininterrupto que demanda com isso  uma ação dura e patriótica das forças armadas, com o objetivo de eliminar os inimigos da pátria.
 Esses documentos produzem uma espécie de base teóricas para teorias da conspiração e radicalismo político que formata o agir e sentir do bolsonarismo.
  O  último mas não menos importante eixo é a atuação do escritor e polemista Olavo de carvalho; comunicador hábil, bastante atuante nas redes sociais  e  muito influenciado por autores da extrema direita norte-americana, o influente morador  da Virginia condensa todos estes movimentos já citados acrescendo  uma linguagem oficial ao bolsonarismo; a retórica do ódio e da destruição a tudo que não for ele mesmo, em nome da suposta defesa do ”valores ocidentais” e da ”herança judaico-cristã”.Se o leitor tiver dúvidas quanto a isso, procure aí na web uma das incontáveis invertidas odiosas que o boca suja ofereceu a oponentes. Olavo ofereceu uma estrutura de pensamento a pessoas que não se satisfaziam com o discurso intelectual vigente nas universidades e na mídia tradicional.Ao cabo disso, fomentou um delírio coletivo.

Este caldo intelectual conduz a uma visão de mundo bélica, conspiracionista e autoritária. O diferente mesmo que se situe na direita política deve ser vilipendiado e humilhado alimentando,com isso, um culto ao tosco e ao ódio como prática política.Conservadores olavistas e liberais se engalfinham nas redes sociais desde o ínicio da era bolsonaro. A intepretação lógica que tiramos ao analisarmos os pontos levantados pelo professor entrevistado  é que o bolsonarismo é um modo de pensar que articula um  projeto de poder autoritário que  leva a uma ação política eminentemente antidemocrática que pode ser fatal para o futuro do Brasil.

Gilvan Mendes Ferreira

Gilvan Mendes Ferreira

Cientista social graduado pelo Universidade Estadual do Ceará-UECE, com interesse nas áreas de Teoria Política , Democracia e Partidos Políticos.

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