O orçamento e a inocência bem protegida

Por estes dias tem sido comum ouvir de analistas políticos que o orçamento anual do país é a peça política e econômica mais importante, decisiva. E é verdade. No orçamento, o discurso se torna prático, tudo vira finanças e uma montanha de dinheiro se definirá, ou seja, dirá de onde vem e pra onde vai. É quando política e dinheiro dão-se as mãos e saem para, digamos, passear por aí.

Faz pena que um país como o Brasil nada saiba sobre seu orçamento. O governo, o parlamento e a imprensa preferem tratar o cidadão e a cidadã como crianças e nada lhes informa. Mais desinforma do que informa. Com essa atitude perdem o direito natural de falar em cidadania e transparência. Se falarem, será hipocrisia.

Nesta semana a sociedade foi desinformada sobre seu orçamento do próximo ano. Ela não saberá o que realmente importa, as verdadeiras prioridades e os agentes que os números privilegiam.

Quase ninguém saberá que o orçamento total alcança mais de cinco trilhões de reais, que as despesas conhecidas minimamente ficam em torno de dois trilhões e que várias questões desse tipo jamais serão tratadas.

Devem essas três instituições (governo, parlamento e imprensa) terem algum acordo tácito de calar, fazer um silêncio obsequioso para não incomodar corações e mentes sensíveis. Se não é um acordo bem intencionado, imagine o que seria…melhor nem pensar, ou podemos sofrer com descobertas bilionárias, quem sabe trilionárias.

O povo brasileiro merece esse, como dizer, cuidado?

Jana

Janete N. Freitas cursou escola de Comunicação, é executiva e consultora de vendas e marketing, adora um bom debate político e faz versos.