O “NORDESTE” E OS PONTOS CARDEAIS

Os pontos cardeais são, a rigor,  uma referência geográfica.

Útil para os  navegantes e indispensável para a localização dos barcos à deriva pelos mares ignotos deste planeta atormentado em que vivemos.

Nenhum deles, entretanto, reflete a situação real dos valores culturais, políticos ou sociais da sociedade que se foram organizando nestas terras distantes.

“Norte e Sul” não são paradigmas culturais, porém indicação de localização no espaço deste planeta, posto descuidadosamente no cosmo a girar…

No Brasil, “Nordeste” é nada mais, nada menos do que um ponto cardeal. Os valores que lhe emprestamos, cultural, política e socialmente falando, são vazios de referência.

Ganha sentido, como qualificação do “Nordeste” brasileiro, o conjunto das suas tradições, a sua história, a sua importância política no conjunto de
de um país, formado de outros pontos cordiais — e de culturas que caracterizam o caráter e a profundidade da nossa “brasilidade”.

Ceará, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Sergipe e Alagoas são mostra relevante da expressão política que fixa a imagem burocrática dos pontos cardeais, celebrados pela SUDENE…
Os nomes que os designam revelam as suas origens, os lugares, os povos, as culturas recebidas de dentro e de fora.

A quadratura deste círculo de imponderável ignorância desponta, por último, e se afirma, com o enquadramento dos vazios geográficos de uma variada topografia em um conglomerado contábil-ideológico a que os homens de governo chamam de “consórcio Nordeste”, nos moldes do ajuntamento da mídia que se auto-designou “consórcio”, na condição de intérprete solitária da verdade.

O professor Eduardo Diatahy explicou, com maior propriedade,  estas sutilezas em um texto cuja leitura parece recomendada nestes sombrios tempos de tantas hesitações e temores.

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.

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