O MUNDO É PANDÊMICO


O Planeta se contorce, geme e chora. Percebo e ouço soluços convulsivos de famílias dizimadas. Analiso estatísticas alarmantes de mortes que me entristecem e me assombram. Lágrimas rolam na minha face. Quero falar sem devaneios. Para ser preciso, conceituo e classifico dois tipos de pandemia que sempre estiveram presentes na história da humanidade.

PANDEMIA DO CORPO: tudo que causa mal-estar físico E/OU morte num indivíduo;
E/OU: significa que uma pessoa pode estar com o corpo vivo [com todas as funções] mas estar morta espiritualmente.

PANDEMIA DA ALMA: tudo que emocionaliza negativamente [que faz mal ao espírito], embora o corpo demonstre alegria. É o caso do Palhaço que tem a estratégia de cair no picadeiro com a dor da fome e provoca risos.

Onde o homem está, afirmo com convicção, existem pandemias. Vou citar algumas e falar apenas sobre duas.

TIPOS DE PANDEMIA: ignorância, ambição, injustiça, covardia, falsidade, exploração humana, submissão, fome, inércia, omissão, falta de habitação, inveja, arrogância, servilismo, egoísmo, maldade …

A PANDEMIA DO CORPO, visível aos olhos de todos, é temporária e é eliminada pela injeção de anti-corpos, um processo simples de vacinação em massa que funciona de fora para dentro [outside in].

A PANDEMIA DA ALMA, visível aos olhos de poucos, é eliminada por um processo complexo de educação individual que só funciona de dentro para fora [inside out].

A peste bubônica no século XIV que dizimou um quarto da população; a varíola que atormentou a humanidade por 3 mil anos e matou muita gente; a cólera que surgiu em 1817 e a gripe espanhola em 1918 e fizeram milhões de óbitos; a malária, transmitida por um mosquito, atacou fortemente o Brasil e teve 99% de incidência na região amazônica. Estes são alguns exemplos de pandemia do corpo.

Minha mãe, Maria Lima de Oliveira, de saudosa memória, é amazonense e seus irmãos faleceram prematuramente, vítimas malária e tuberculose. Só ela e meu tio Agilberto, escaparam. Até meu avô, Raymundo da Silva Rocha, morreu muito jovem.

Meu sogro, Zacarias Rodrigues Lima, a quem presto uma homenagem, trabalhou como guarda da malária no município de Russas-Ce, salvando vidas.

Como exemplo de PANDEMIA DA ALMA posso citar as guerras provocadas por motivos geo-político-econômicos, ganância, escravidão, racismo, preconceitos etc. O capitalismo é, quase sempre, a mola propulsora desses males.
Estamos vivendo um momento difícil. A morte prematura causa uma dor profunda e fere nossas emoções.

Quanta saudade da minha colega de infância Eldiza Ferreira, do meu ex-aluno Ricardo Santiago, da minha amiga Socorro Pinheiro, do meu cunhado Raimundo Pontes e de tantas outras pessoas queridas, vítimas da COVID-19.

Análises mostram que de cada 5 óbitos ocorridos no Brasil, 4 poderiam ter sido evitados se o Presidente Bolsonaro tivesse seguido os protocolos sanitários e investido na compra de vacinas em tempo hábil.

São dados concretos. Tudo depende de como se valoriza a vida. Quando Donald Trump era o Presidente, os Estados Unidos ostentavam o 1º lugar dessa maratona fúnebre. Joe Biden assumiu o comando, começou a vacinação em massa, fez investimento digno e o quadro mudou completamente.

O Brasil que estava em 2º lugar, assumiu o 1º e, se as instituições responsáveis não tirarem o Bolsonaro do Pico da Montanha, o povo morrerá no Vale e faltará espaço para enterrar tantos corpos no Sopé.

Observo como muitos membros do Ministério Público e do Congresso Nacional estão infectados pelo vírus da PANDEMIA DA ALMA.

Como “uma manga podre põe catinga em todo o saco”, pode-se dizer que essas Instituições estão fedendo. Há que se tirar as mangas ruins, a bem da Justiça e do Povo.

Entendo, porém, que só o povo nas ruas, com máscaras ou sem máscaras, poderá fazer essa limpeza, poisa as Instituições estão infectadas e o MUNDO É PANDÊMICO por natureza.

Gilmar Oliveira

Gilmar Oliveira, Professor Universitário.